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O que mudou e o que ainda precisa mudar no São Paulo com Diniz

Após 7 jogos e um mês de Fernando Diniz no cargo, tricolor evolui, mas ainda precisa aparar arestas para se firmar no G4 

Após a boa vitória por 2x0 em casa diante do Atlético Mineiro no último domingo (27), o São Paulo entrou de vez na zona de classificação para a fase de grupos da Libertadores 2020. Fernando Diniz na coletiva pós jogo fez questão de ressaltar que essa foi a melhor partida da equipe sob seu comando. E de fato foi. O São Paulo venceu com certa tranquilidade um adversário de qualidade, embora em má fase, mostrou volume e apetite ofensivo. Com esse resultado, Diniz chega a sua 4º vitória (Fortaleza, Corinthians, Avaí e Atlético Mineiro) em 7 jogos (todas em casa), além de 2 empates (Flamengo e Bahia) e somente uma derrota (Cruzeiro fora). Foram 7 gols feitos e apenas 2 sofridos. Será que já houve uma grande mudança em relação à Cuca? 

Os números e o desempenho do time apontam que sim. 

Nas últimas 7 partidas de Cuca, o São Paulo teve 2 vitórias (CAP e Botafogo), 2 empates (CSA e Grêmio) e 3 derrotas (Vasco, Internacional e Goiás). Aproveitamento pífio! Marcou 3 gols e sofreu 6. Taticamente, via-se um time espaçado no meio de campo, muito pouco criativo com Daniel Alves jogando como principal articulador, função pela qual ele nunca desempenhou com muito destaque. A equipe se limitava a inúmeros chutes de média e longa distância sem êxito algum. Na defesa, deixava muitos espaços nas costas dos dois laterais sofrendo constantemente com contra-ataques. Era um time perdido em campo, lutando para somar pontos e não sair da classificação para a Pré Libertadores, uma vez que, àquela altura, o clube ocupava o 6º lugar na tabela do Campeonato Brasileiro. Diante disso, é óbvia a evolução da equipe com Diniz nesse um mês recém completado. Tomando a última partida como exemplo, o São Paulo dominou quase inteiramente o jogo. Além da superioridade na posse de bola, marca registrada do atual técnico, o volume e a compactação ofensiva, as chegadas à linha de fundo e o grande número de jogadores pisando na área para concluir são fatores que atestam o crescimento no desempenho dentro de campo. Fora dele, Diniz traz peças que podem agregar bastante ao seu esquema, como o garoto Igor Gomes. No 4-1-4-1 que varia para o 4-2-3-1, o jovem pode ser vital tanto para a construção das jogadas, quanto para a finalização em gol (Marcou contra o Galo). Função semelhante a de Arrascaeta no líder Flamengo. No entanto, há ainda a busca pelo melhor encaixe do craque Daniel Alves no time, apesar do indício de que o treinador prefere utilizá-lo na lateral ou como homem de meio pelo lado direito. Variações e adaptações que ainda levarão tempo para engrenar. 

Fato é que a mudança fez bem ao tricolor, a crescente é real. Obviamente, alguns problemas ainda presentes devem ser sanados. O São Paulo continua finalizando mal (8º que mais erra do BR), precisa de cerca de 12 chutes para fazer um gol. A tal da "posse de bola inútil", isto é, o grande número de passes trocados no campo defensivo entre zagueiros sem objetividade, persiste como característica do Diniz sobretudo nas partidas fora de casa. Em contrapartida, a consistência defensiva também vem crescendo. A defesa é a melhor da competição. Com o novo treinador, são só 2 gols sofridos. Portanto, o balanço é positivo e a tendência é de que, jogo a jogo, o clube do Morumbi se firme cada vez mais dentro da proposta de jogo de Fernando Diniz e, consequentemente, na tabela.

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