O calvário dos desorganizados Vasco, Fluminense e Botafogo no Brasileirão

Entre falta de planejamento e péssimas contratações, os três clubes cariocas somam 7 técnicos diferentes em 2019

Oswaldo de Oliveira e Alberto Valentim em passagens por Flu, Bota e Vasco / Foto
Em meio ao vício que os clubes brasileiros possuem em demitir técnicos, tendo em vista a constante falta de planejamento, três dos quatro clubes cariocas vivem, em diferentes níveis, uma situação incômoda no Campeonato Brasileiro.

O pior cenário é o do Fluminense que, por coincidência ou não, é o clube carioca que teve mais técnicos este ano. Foram 3, com o atual Marcão deixando de ser interino e assumindo o cargo. Dessa forma, o tricolor se encontra na zona de rebaixamento para a série B com 31 pontos, 2 atrás do Cruzeiro, o primeiro time fora do Z4. O clube vem flertando com as últimas colocações desde o começo do ano, na época em que Fernando Diniz era o treinador. Contudo, o time tinha boas atuações até quando perdia, além do fato de que vinha utilizando bastante o elenco reserva por causa da Copa Sulamericana.

Com Diniz, o Flu viveu seus melhores momentos, inclusive derrubando adversários poderosos na competição internacional como o Peñarol do Uruguai. Faltou paciência à diretoria tricolor que o demitiu após uma derrota em casa para o CSA que culminou na entrada do Flu no Z4. No entanto, jogo foi marcado por erros grotescos de arbitragem que interferiam diretamente no resultado. A partir desse ponto, entra a semelhança com Botafogo e Vasco. Pior que demitir, é contratar um profissional pior. O Flu acabou contratando o ultrapassado Oswaldo de Oliveira que amargou pífios 38% de aproveitamento em seus míseros 38 dias de trabalho. Hoje, Marcão tenta consertar essa lambança feita pela diretoria do clube, mas se vê em um beco sem saída com um time à beira do precipício.

No Botafogo e no Vasco, a conjuntura é semelhante com o Cruzmaltino tomando um rumo um pouco distinto. No alvinegro, o time também começou bem o ano, ainda que no meio de uma crise política e financeira e com elenco muito limitado. O treinador Eduardo Barroca extraía bem mais do que o time aparentava poder render. A equipe conseguia bons resultados e jogava um bom futebol. Tinha posse de bola, movimentação, velocidade de transição e uma razoável consistência defensiva. Tudo isso durou 27 jogos. Barroca foi demitido após emplacar quatro derrotas seguidas no fim de setembro. Novamente, uma interrupção equivocada em um trabalho que possuía boas ideias rumo à mais uma contratação pífia. O nome? Alberto Valentim. O mesmo que foi demitido após colocar o Vasco na lanterna do Brasileiro e estava colecionando resultados ruins no Avaí. Nesse sentido, o Cruzmaltino foi um pouco mais perspicaz. Contratou Luxemburgo e se recuperou no campeonato, apesar da capacidade do "pofexô" ter atingido o seu ápice com o time apenas no meio da tabela.

No fim, o Botafogo vem acumulando derrotas e perdendo posições nessa reta final do Brasileiro com Valentim, além do desempenho sofrível do time que não confere uma lástima de esperança aos torcedores alvinegros. No Fluminense, Marcão até teve bom início, mas também não consegue extrair mais da sua equipe que tem uma tabela difícil. O desempenho é melhor que o do rival carioca, porém a contratação de Oswaldo levou a perda de pontos irreparáveis. E no Vasco, a diretoria tenta planejar um 2020 a altura do clube com a renovação de Luxa que vem perdendo créditos com a torcida a cada jogo. Sua covardia aliada às péssimas mexidas, ao penoso sistema ofensivo e a falta de ideias modernas apontam para mais um iminente erro da diretoria do clube para o próximo ano.

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