Caos na toca: Na Série B, raposa terá que escalar montanha para retornar à elite do futebol brasileiro

Com receitas em queda livre, desconfiança da torcida, crise política e aumento das dívidas, Cruzeiro terá o 2020 mais difícil de um rebaixado


Pela primeira vez em 98 anos de história, o Cruzeiro foi rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. O clube mineiro terminou a competição na 17º posição com 36 pontos, 27 gols pró (3º pior ataque) e 46 gols sofridos (7º pior defesa).

O ano de 2019 do Cruzeiro foi uma montanha-russa, da qual nenhum outro clube brasileiro havia experimentado na história do campeonato brasileiro de pontos corridos. Dono da 2º maior folha de pagamento do país (cerca de 14 milhões mensais), acima, inclusive, do campeão brasileiro Flamengo (13 milhões), o clube mineiro colecionou jogadores caros e consagrados que acabaram sendo mais um estorvo que qualquer outra coisa. Um deles, Thiago Neves, é apontado como um dos grandes culpados pelo rebaixamento por causa de suas declarações  que culminaram na demissão do técnico Rogério Ceni e suas péssimas atuações nos jogos decisivos.

Para 2020, o rombo nas contas do Cruzeiro coloca o clube em situação delicadíssima na busca pelo retorno à elite. Segundo o jornalista Rodrigo Capelo, do GE, graças ao adiantamento das cotas de TV feito pelos dirigentes Itair Machado e Wagner Pires de Sá em 2018 (70 milhões), o repasse em 2020 dificilmente chegará aos 20 milhões de reais. Isso porque, como o adiantamento foi feito junto à um fundo de investimento, do montante de 30 milhões que o Cruzeiro teria direito no ano que vem, 20 milhões serão repassados pela Globo diretamente pra esse fundo. Portanto, o Cruzeiro receberá cerca de 10 milhões pela temporada inteira!!! Não obstante, o programa de sócios, que antes gerava uma receita superior a da TV, hoje oferece uma renda bastante limitada, uma vez que a queda abrupta do número de sócios deixou a raposa com míseros 23 mil sócios.

O clube, agora, luta para se livrar dos medalhões contratados no início do ano. Pedro Rocha foi o primeiro a deixar o clube rumo ao Flamengo. Os demais receberam sondagens e só. Com as dívidas aumentando, o Cruzeiro terá a missão de montar um elenco dos mais baratos até para a série B e fazê-lo ser competitivo o suficiente para o acesso. Por fim, ilustrando esse calvário financeiro, a folha atual do Cruzeiro sem Pedro Rocha custa por mês (12-13 milhões) mais do que o clube irá arrecadar no ano INTEIRO com as cotas de TV (10 milhões).

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