Será que Tiago Nunes realmente começou mal no Corinthians?

Recém chegado, treinador cutuca "vespeiro", mas demonstra fidelidade à filosofia de trabalho para mudar o rumo do Timão


Tiago Nunes comanda treino. Foto: Globoesporte

Campeão da Copa da Brasil e maior expoente da nova geração de treinadores brasileiros, Tiago Nunes foi contratado pelo Corinthians de forma bastante badalada. Contudo, a missão de recolocar o clube paulista no caminho dos títulos passa por um processo de transformação, tanto na filosofia, como na mentalidade de jogo de todo o clube. Para tal, há a necessidade de mudanças bruscas no elenco que iniciará 2020 sob o comando de Tiago Nunes. Jogadores, consagrados ou não, são protagonistas desse rearranjo de peças no tabuleiro corintiano. Goste eles ou não.

A notícia da dispensa dos ídolos Jádson, de 36 anos, e Ralf, de 35 anos, gerou um certo alarde e indignação de um setor da mídia. O ex jogador e hoje apresentador Neto, criticou abertamente via Instagram a forma pela qual o treinador estava tratando os ídolos do Corinthians. Falta de respeito, soberba e o "começou muito mal" foram expressões destaques da exagerada e corporativista declaração. Adepto de um estilo de futebol altamente veloz e de muita intensidade, é óbvia a preocupação do técnico com a capacidade física de seus comandados. Ralf e Jadson são atletas em viés de fim de carreira que já não possuem alto rendimento, fora os altos salários recebidos por ambos. Ao volante, foi oferecida uma mudança de função no campo para acertar a sua permanência, recusada de prontidão pelo atleta. Tiago Nunes planejava utilizá-lo como zagueiro devido ao seu grande poder de marcação e razoável qualidade de passe. Logo, como as partes não chegaram a um acordo, é bastante natural que o clube abra as portas para que o jogador encontre outro clube. Construir um elenco vencedor requer mudanças profundas em alicerces que já não dão mais sustentação. Não houve falta de respeito com os atletas, nem tão pouco com a história constituída por eles no Corinthians. 

Certamente, em uma mídia cujo corporativismo e as birras pessoais tem grande influência na forma de produção de críticas e análises, o treinador estreante em um clube da dimensão do clube paulista começa por um caminho muito arriscado, porém adequado à linha de trabalho cujo o próprio pretende implementar. Somente nisso, já se têm dois aspectos que não se viam há algum tempo em Itaquera: Organização e direcionamento. Justificados também pelo perfil de suas contratações até o momento.

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