Análise: OL 1 X 0 JUV / Juve de Sarri é amarrada por nó Francês.

Com problema crônico de criação, Juventus não finaliza no gol e perde pro Lyon no jogo de ida das Oitavas da UCL

Cristiano Ronaldo lamenta chance perdida e reclama após possível pênalti não marcado. Foto/ The Statesman

O Lyon venceu a Juventus de Cristiano Ronaldo por 1x0 no jogo de ida das oitavas da UCL no Parc Olympique Lyonnais. Mesmo o astro português em campo, a equipe de Sarri não conseguiu furar o ótimo esquema defensivo do time da casa. Aqui veremos o porquê.

Formações iniciais:

O Lyon iniciou um jogo em um 3-5-2, enquanto a Juventus manteve seu costumeiro 4-3-3.

Escalações de Lyon e Juventus. Foto/ BeSoccer

Diante dessas escalações, de antemão esperava-se um panorama de agressividade e forte marcação do Lyon com meio campo bastante povoado, e velocidade nos contra-ataques com as subidas dos alas. Do lado da Juventus, o esperado era de que a equipe de Sarri, um treinador adepto da valorização da posse e da intensa troca de passes, controlasse e ditasse o ritmo da partida. Contudo, tal cenário se concretizou minimamente.
Sarri montou seu trio com Dybala centralizado justamente para ter um jogador de técnica apurada no último terço do campo, que pudesse flutuar nas costas dos volantes e fazer o time jogar. Não aconteceu. Em contrapartida, o Lyon pôs Bruno Guimarães pra comandar o meio de campo, sendo responsável pela transição. Papel chave pro sucesso da equipe no jogo que o brasileiro desempenhou muito bem. 

O JOGO

O Lyon com seu 5-3-2 no momento defensivo utilizou uma marcação mista. Ora por zona, ora individual por setor, conforme o posicionamento da "zona de guerra". Em bloco médio, o time marcava preferencialmente por zona, fechando os espaços e, consequentemente, as linhas de passe. Com efeito, era um time muito bem compactado, como mostra a imagem a seguir.

Momento defensivo do Lyon/Ofensivo da Juventus. Marcação mista. Foto/ Arquivo Pessoal

Dessa forma, o time se postava na marcação sempre em função da bola, porém com os defensores do lado em que está a bola responsáveis pelos jogadores adversários que caíssem em seu setor, algo que se mantinha conforme a Juve girava o jogo na tentativa de encontrar espaços. Outro ponto importante é a proximidade das linhas, fator que limitou demasiadamente o trabalho do argentino Dybala. Mesmo com liberdade pra flutuar, o atacante sempre se via encaixotado pela linha de zaga e de meio do Lyon. Sem conseguir conectar passes entre as linhas do time francês, a Juventus acabava acumulando a famosa "posse de bola inútil". ou seja, aquela que se sustenta por um grande volume de passes trocados na zaga e não no ataque. Logo, no 1º tempo, a estratégia do Lyon foi basicamente essa: Recomposição → 5-3-2 postado em bloco médio → liberação dos alas pra pressionar e subida das linhas pra marcar em bloco alto (3-5-2).

No momento da subida de marcação, o time da casa pressionava e conseguia roubar bolas no campo da Juventus, onde podia imprimir velocidade com seus dois atacantes, alas e com a chegada dos homens de trás. Assim procedeu a maior parte da 1º etapa. O Lyon teve 36% da posse, mas finalizou 12 vezes. 

Momento ofensivo da Juventus com Cristiano Ronaldo criando jogada de perigo. Foto/ TNT - EI
Edição: João Victor.

Na imagem acima, a superioridade numérica do Lyon é gritante na fase defensiva, ao passo que mantinha os dois atacantes pressionando os zagueiros, prontos para iniciar um contra-ataque atacando o espaço deixado pela subida do time da Juventus. A imagem mostra a jogada de perigo criada por Cristiano Ronaldo logo no início. É possível contar 6 jogadores do Lyon dentro da área nesse lance, enquanto há somente 2 da Juve. Um deles é o Cristiano, o homem da bola. Logo, a jogada só levou perigo pelo fato do cruzamento do português ter passado perto do gol, já que era improvável que o Cuadrado conseguisse levar vantagem sozinho. A pouca ocupação da área ofensiva também foi uma tônica da Juventus na partida.
 No vídeo abaixo, num 1º momento, mais uma vez a Juventus transita ofensivamente com poucos jogadores. Porém, dessa vez Cristiano consegue fazer jogada individual e criar espaço para cruzamento, bem como um tempo maior para a chega de mais gente na área.



Como o Dybala era o responsável por sair da área e reter essa bola pra dar tempo da chegada da equipe ao campo de ataque, o fato de ele não conseguir executar tal função pela boa marcação do Lyon reverberava na ausência de jogadores chegando na área do time francês pra finalizar. Portanto, esse é um dos principais fatores pro time de Sarri não ter conseguido acertar nenhuma finalização no gol adversário. Faltava mais um jogador capaz de segurar a bola no campo de ataque, que possuísse mais qualidade com a bola no pé e características de controle. Higuaín e Ramsey possuem algumas dessas características. Logo, A Velha Senhora só conseguiu aumentar a sua imposição no campo de ataque após a entrada de ambos no fim do jogo. 

Sem conseguir criar, a Juve alçava bolas na área em profusão e em uma delas, De Ligt sofreu um corte e teve que ficar de fora para estancar o sangramento. Durante sua ausência, o Lyon tramou boa jogada pelo lado esquerdo com a subida dos seus alas e encontrou Tousart livre chegando de trás para completar pro livre quase na pequena área. Veja o vídeo:



Detalhe principal do gol: Chegada na área do adversário com muitos jogadores. Se ao longo da análise, pôde ser visto que a Juve raramente chegou com mais de três, o Lyon chegou com CINCO jogadores na área do time italiano aproveitando a ausência do zagueiro holandês. Interessante pontuar que os alas do clube francês levavam constante vantagem no corredor deixado por Danilo e Alex Sandro que subiam demais deixavam espaço em suas costas. O 3-5-2 do Lyon funcionou perfeitamente na defesa para neutralizar os ataques da Juve ao formar um 5-3-2 e no ataque liberando os alas pra subirem e retomarem a formação inicial.

Por fim, na 2º etapa a equipe de Turim, precisando do resultado, tentou preencher mais o seu campo de ataque. A entrada de Ramsey deu um pouco mais de qualidade no meio, fazendo com que essa bola chegasse mais redonda nas pontas e com Cristiano e Dybala entre-linhas. Não obstante, a trinca de ataque passou a entrar mais na área, especialmente o atacante argentino. 




Assim, a Juventus teve a sua melhor chance da partida. A imensa maioria das outras finalizações foram de fora da área sem acertar o alvo. Como dito anteriormente, nesse lance pode-se observar a marcação por zona que fez o Lyon. Talvez com Higuaín e Dybala juntos, o time de Sarri ganhasse na velocidade da troca de passes e em mais invertidas de jogo pra pegar o lado contrário ao da bola exposto. Além de poder adentrar ao campo de ataque com um maior contingente, algo que aconteceu no 2º tempo e se traduziu em volume. Na etapa final, foram 73% de posse de bola pra Juve e dez finalizações, além de ter criado a grande chance com Dybala. Com apenas um deles, o time é presa fácil no meio de campo e fica altamente refém da individualidade de Cristiano Ronaldo, já que os meio campistas dão pouco suporte.


Vídeos de autoria da TNT e do Esporte Interativo - Editados por João Victor.

Comentários

  1. Muito boa a análise, a Juventus precisa de laterais com mais qualidade técnica.

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  2. A dobra na marcacao e a compactacao dos defensores foi bem visivel.

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