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A histórica final alemã: Análise de Bayern 2 x 1 Borussia na final da UEFA Champions League de 2013

O 1º vice de Klopp na UCL. O decisivo e, quase melhor do mundo, Ribery. E como o Bayern conseguiu vencer o alucinante Borussia Dortmund 

Foto: De fora é minha F.C

Em Wembley, Bayern de Munique e Borussia Dortmund travaram talvez o maior duelo da história do futebol alemão. A final da UEFA Champions League de 2013 pôs frente a frente os dois maiores times da Bundesliga. De um lado, o bilionário time da capital na última temporada do ídolo e técnico Jupp Heynckes. Do outro, o furacão do Vale do Rühr já em viés de declínio, mas que causou devastações sob a batuta de Jurgen Klopp.

FORMAÇÕES INICIAIS

Escalações de Bayern (vermelho) e Borussia (amarelo). Foto: Wikipédia
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O JOGO

Embora espelhados nos sistemas de jogo iniciais, Bayern e Borussia apresentaram estilos bastante distintos. Conhecido pelo gegenpressing, em português "contrapressão ou perde e pressiona", o time de Klopp procurou executar a sua característica de intensidade altíssima na marcação e pressão máxima para evitar que o Bayern conseguisse êxito proposição do jogo. Contudo, para reduzir o desgaste, a equipe procurou dar um pouco de campo para os zagueiros do Bayern, usando a tática de fazer com que o adversário direcionasse a bola para um setor de mais facilidade para pressionar. 

Veja o vídeo:

Disposto em um 4-4-2 sem a bola desde os primeiros minutos de jogo, o BVB deixava Reus e Lewandowski na 1º linha de marcação com liberdade pra flutuar e exercer a pressão. Nesse sentido, eles atuavam em linha no momento em que a bola estivesse no centro justamente para impedir esse passe, direcionando-o pra lateral, onde exerceriam pressão com vantagem numérica. 

A estratégia funcionou durante quase toda a partida. Foram raras as chances que o Bayern conseguiu criar construindo via passes curtos. A intensidade alucinante associada a compactação da marcação por zona do Borussia Dortmund forçava lançamentos constantes e imprecisos, sendo feitos sempre sob pressão, o que impedia a progressão da equipe Bávara. 

Observe a imagem:

O Bayern, por sua vez, usava o mesmo esquema sem a bola: 4-4-2. Contudo, sob uma estratégia um pouco distinta. O time de Jupp Heynckes organizava os jogadores de uma maneira mais equilibrada no espaço, embora também marcasse por zona. Assim como o BVB, o time se utilizava de alguns encaixes individuais no possível receptor da bola, geralmente o 2º volante, que recuava para receber. Entretanto, para conter o avanço do adversário para além do setor médio, o Bayern procurava se postar com seus jogadores atrás da linha da bola, compactando as linhas em bloco baixo. 

Veja o vídeo: 

Já em bloco médio, havia a utilização dos meias se aproximando um pouco dos dois da frente, na tentativa de formar um quadrado ou retângulo com o intuito de cortar as linhas de passe no corredor e no meio, além de facilitar o acompanhamento dos volantes do Borussia. Observe a imagem abaixo:

Com os esquemas de marcação de ambos funcionando bem, o jogo no 1º tempo foi de poucas chances claras de gol, sobretudo para o Bayern. A intensidade do Borussia Dortmund era altíssima, recuperando muitas bolas no campo de ataque. A bola batia e voltava pro campo da equipe da capital. Mesmo com apenas 44% de posse, foi o time de Klopp quem levou mais perigo. Neuer fez uma partida brilhante.

Na volta do intervalo com placar ainda zerado, a enorme intensidade dos aurinegros foi caindo ao passar do tempo na etapa final devido ao desgaste. E com isso, o Bayern começou a conseguir ter mais sucesso na construção desde a base. 

 Veja o vídeo:

Utilizando um ataque posicional, nessa jogada Alaba, enfim, consegue fazer com que a bola chegue a Tomas Müller entre as linhas de marcação do BVB. Por conseguinte, como o time de Klopp se aproveitava da pouca amplitude da marcação por zona para propiciar o perde e pressiona, nesse lance o time de Munique consegue usufruir do espaço deixado no lado oposto pela defesa aurinegra.

Veja o vídeo:

Como mencionado anteriormente, o cansaço foi tomando conta do Borussia Dortmund conforme a partida caminhava. As transições defensivas já não eram feitas com o mesmo vigor e, por conta disso, sem a mesma velocidade, gerando espaços entre os setores. Logo, é nesse contexto que o Bayern abre o placar da final. 

Vídeo do gol:

No lance, o Borussia exerce sua pressão em bloco alto e força chutão de Manuel Neuer. Porém, a recomposição demora após Mandzukic conseguir fazer o domínio e deixar a bola para Robben. Assim, o holandês encontra Ribery e se posiciona no funil junto à Thomas Müller e ao centroavante croata. Em virtude da lentidão para recompor dos meias do BVB, a linha de zaga está exposta. Logo, acaba gerando espaço para a infiltração de Robben após Ribery cortar pro meio e atrair a marcação pra dar o passe em profundidade. O ponta recebe e consegue encontrar Mandzukic livre dentro da área com gol vazio. Golaço! 1x0 Bayern.

Todavia, o time de Jurgen Klopp não demora muito pra empatar após pênalti cometido por Dante em Marco Reus. Gundogan cobra e converte. 1x1. Com o placar novamente empatado, o Borussia ganha em ânimo. Os aurinegros ensandecidos pelos torcedores continuou lutando contra o gigante da Baviera. Mesmo com menos posse, sua "contrapressão" funcionou por mais algumas vezes, produzindo oportunidades de atacar gol pegando o Bayern desorganizado. Porém, sem sucesso.

O cansaço foi se agravando nos minutos finais e o Bayern passou a dominar as ações. Weidenfeller também brilhou com defesas dificílimas. Até que faltando 3 minutos pro fim do tempo normal, Ribery se movimenta da ponta pro meio para receber o lançamento de Boateng após falta na defesa, trazendo a marcação de Piszczek com ele. Ao dominar, enxerga Robber vindo de trás sem marcação (nas costas dos volantes) e dá mais um passe espetacular pro Holândes tirar dos zagueiros e finalizar pra explosão dos bávaros. 2x1. 

Veja o vídeo:


Por fim, o Bayern de Munique sai do clássico histórico com o título que faltava para a tríplice coroa. 


Vídeos e imagens do jogo de autoria da Sky Sports e editados por João Victor.

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