Analise: AVL 1 X 2 MCI - Guardiola tricampeão da Copa da Liga Inglesa

Na final, Manchester City bate o Aston Villa, conquista o 5º título em 20 anos e se torna o maior vencedor da competição do século

Elenco do Manchester City posa para a foto do título. Foto/ UOL

O Manchester City venceu o Aston Villa em Wembley e se sagrou campeão da 60º edição da Copa da Liga Inglesa de 2020. Apesar de não ter praticamente chance de título na Premier League, o time comandado por Pep Guardiola segue conquistando títulos na terra da Rainha.

Formações iniciais
Escalações das equipes. Foto/ BeSoccer

















O Aston Villa começou o jogo em um 3-4-3 que se transformava em um 5-3-2 no momento defensivo. Por outro lado, o Manchester City iniciou no seu habitual 4-3-3, porém com muitas mudanças. 7 dos 11 titulares na vitória contra o Real Madrid na UEFA Champions League iniciaram no banco, incluindo os brasileiros Ederson e Gabriel Jesus.

O JOGO

A partida foi muito movimentada, apesar do domínio do Manchester City após a metade do 1º tempo. Ainda assim, o Aston Villa fez um início de uns 10 min de grande pressão no campo de ataque dos citizens, inclusive atacando a área do adversário com uma boa quantidade de jogadores e conseguindo levar perigo. A atitude do time de Dean Smith foi até, de certa maneira, surpreendente, mas não durou muito tempo.
Saída de bola do Aston Villa. Foto/ManCity TV
Como dito anteriormente, o Aston Villa começou imprimindo bastante ritmo. A saída de bola era feita com Douglas Luiz recuando para compor a linha de 3, a famosa saída Lavolpiana, liberando os alas pra subir. Os citizens, por sua vez, se postavam em um 4-2-3-1 com o intuito de cortar as linhas de passe do adversário e, a partir disso, partir para uma pressão alta. Agüero era o homem mais avançado e responsável por não dar liberdade para a linha de zaga trocar passes. Assim, o City conseguiu resistir bem à essa pressão inicial e, com o tempo, foi tomando conta da partida. Ao passo que o time de Dean Smith passou a jogar de forma mais reativa.

Se defendendo sempre com uma linha de 5, mas marcando em função da bola (zona), o Aston Villa deixava espaços no lado contrário da bola. Dessa forma, Guardiola pôs Phoden e Sterling para jogarem bem abertos, dando amplitude e aproveitando esses espaços. Veja o vídeo:


Dean Smith procurou colocar três jogadores na marcação dos flancos, sabendo da força ofensiva do City por esses setores. Havia uma dobra no jogador com a bola e mais um na cobertura para evitar a infiltração do lateral. Nesse vídeo, Sterling começa marcado por dois jogadores do Aston Villa e o ala da linha de 5 cobre a passagem de Zinchenko. Sem espaço, Sterling roda a bola e encontra Rodri com liberdade pra escolher a jogada.

A partir daí, Rodri quase sempre tem duas opções: Conectar o passe com David Silva entre-linhas ou inverter a jogada para Phoden, que encontrava muito espaço nas costas da defesa do Aston Villa. Essa foi a tônica do jogo. Contudo, em alguns momentos a linha de 5 acompanhou a movimentação da bola. Nesse lance, por exemplo, a bola chega no Phoden e os meias e defensores do lado imediatamente agridem, obrigando ele a cruzar a bola na área. Mas como virá a seguir, ocasiões de reação imediata com eficiente do sistema defensivo do Aston Villa eram raras.

Prova disso é o lance do gol do Manchester City que abriu o placar da partida:



A jogada mais uma vez começa de um lado e terminará do outro. O detalhe do gol é que, ao contrário do que ocorreu no lance anterior, o Targett não consegue ser rápido o suficiente para recompor a linha de 5. O City dessa vez chega com mais velocidade na transição ofensiva. Porém, Sterling, de novo, encontra uma boa marcação no seu lado e é obrigado a passar a para o Rodri. Mais uma vez, o volante é o cerni da jogada. Ele decide se conecta o passe entre-linhas com o David Silva ou se inverte no Phoden. Logo, ele acaba optando pela 2º opção novamente. Como foi supracitado, Targett não recompõe a linha de zaga deixando um espaço maior pro ponta dos citizens atacar, além de não haver cobertura. Quem acaba cumprindo essa função é um dos zagueiros, o que gera uma posição de igualdade numérica dentro da área, sobre a qual o atacante argentino Kun Agüero se aproveita para marcar.

E mais uma vez, o 2-2-3 de Guardiola funciona. É um time com extrema facilidade para criar espaços no sistema defensivo adversário. Há sempre mais de uma alternativa. Interessante destacar também as ótimas decisões tomadas pelo Rodri, bem como a sua qualidade nos lançamentos. Foi fundamental na final. Assim como o posicionamento de David Silva, chegando algumas vezes como um segundo atacante na grande área junto ao Agüero.


E o cenário se repete. Agora, quem encontra espaço do lado contrário da bola é o Sterling. Walker percebe e inverte a jogada, produzindo uma situação de vulnerabilidade da defesa do Aston Villa. Guardiola soube enxergar esse detalhe e fazer o seu time jogar em função disso na maior parte do confronto.

Por fim, o gol do Aston Villa:


Outro fator imprescindível para o sucesso dos citizens na finalíssima foi o "perde e pressiona". Aliás, como já é amplamente sabido, esse tipo de marcação é uma marca do treinador espanhol. Todavia, nada funciona sempre.

O gol do Aston Villa se origina de uma quebra desse sistema de marcação com o passe por cima de Grealish, o craque do time de Dean Smith. No geral, ele foi bem anulado pelo sistema do Manchester City, mas conseguiu deixar sua contribuição sutil no lance do único gol de sua equipe. Destaque pro poder do toque de primeira. É muito difícil reagir à um passe ou finalização de primeira. Essencial na progressão de qualquer time. Nesse caso, o passe de primeira de Grealish deixa quatro marcadores pra trás. Depois, El Ghazi conta com o escorregão de Stones para ter campo livre pra avançar e cruzar em direção à cabeça de Samatha, que finaliza entre Fernandinho e Zinchenko para diminuir o placar.

Em suma, mesmo após o gol, o time de Birmingham continuou esbarrando na ótima marcação do City, o qual ainda continuou dominando a maioria das ações do jogo. Nos últimos minutos, o Aston Villa quase empatou com uma cabeçada que parou na trave após Bravo desviar. E foi só. Apesar de bastante valente, a equipe do brasileiro Douglas Luiz, apagado no jogo, não esteve muito perto de ameaçar o tricampeonato dos tubarões em momento algum.

Ademais, mais um troféu que irá à larga estante do fantástico Pep Guardiola, é o 29º de sua carreira e o 8º pelos azuis de Manchester.



  • Imagens sem legenda são de direito da Manchester City TV e editadas por João Victor.

Comentários

  1. Eu tenho observado que os laterais fecham com os zagueiros mesmo tendo um atacante nas costas,quando a bola e invertida o atacante está sempre livre.Alguns times fazem uma linha de 5 quando estão defendendo para fechar o corredor.

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