Análise: Porquê o Corinthians ainda não engrenou, mas vai engrenar

Mesmo em "crise", desempenho coletivo do Corinthians aponta para um caminho de saída da escuridão




Após uma boa pré e início de temporada, o Corinthians de Tiago Nunes vive uma crise dentro de campo graças aos resultados que não vem. O clube possui o pior aproveitamento dentre os 20 clubes que disputarão a Série A do Brasileirão 2020: 39%. Inclusive, ficando atrás do terrível Vasco de Abel Braga (agora demitido) que possui 40% de aproveitamento na temporada. Entretanto, boa parte da torcida Corintiana, da diretoria e da mídia depositam confiança no trabalho do treinador catarinense, algo que não aconteceu com Abel no Vasco. Logo, a justificativa é óbvia: Existe trabalho de qualidade sendo feito. Veremos como...

 ESTATÍSTICAS

A equipe é a 3º que mais cria grandes chances na competição. Também é a 2º com a maior média de posse de bola (61,5%), a 2º com maior número de passes certos por jogo (450), de desarmes por jogo (16,4) e de cruzamentos precisos por jogo (7,5). Não obstante, é a 3º com finalizações totais por jogo (12,3). 

É perceptível o belo volume de jogo que o timão tem mostrado, mas talvez o maior problema seja a conversão desse volume em gols. A equipe é a 3º que mais desperdiça grandes chances, além de ser somente o 6º melhor ataque com 12 gols marcados. Média de 1,02 por jogo.

ANÁLISE TÁTICA

No que se refere ao padrão de jogo do Corinthians, Tiago Nunes tem encontrado dificuldade para implementar os seus conceitos em sua totalidade, sobretudo na parte defensiva.

Pegamos dois jogos representativos para ilustrar as virtudes e defeitos do time de itaquera. A vitória por 2x1 contra o Guaraní-PAR pela Pré-Libertadores em casa e a derrota pro Água Santa por 2x1 fora de casa pelo Paulistão.

Nesse sentido, começamos pela parte defensiva. Um dos principais problemas do Corinthians é a recomposição defensiva. Diferente do CAP, o elenco atual à disposição de Tiago Nunes possui jogadores de outras características, o que tem prejudicado a adaptação deles ao estilo de jogo. No furacão, os meias e pontas eram jogadores com facilidade na transição, tanto ofensiva, quanto defensiva, ou seja, era fácil pro time marcar alto em um 4-2-4 e depois baixar seus jogadores para um 4-4-2. O Athletico de 2019 sofria bem menos com os contra-ataques que o Corinthians por conta dessa aptidão.


De modo geral, o time tem tentado jogar desta forma. 4-2-4 para a pressão em bloco alto variando para um 4-4-2 em bloco médio e baixo. Contudo, a recomposição tem contado pouco com a colaboração dos meias e dos extremos/pontas. 

Como a equipe costuma propor o jogo desde a saída na defesa, a progressão do time é suscetível a erros técnicos, porém, quando eles ocorrem, o sistema defensivo nem sempre tem conseguido se reorganizar. Veja o vídeo:


A 2º linha de marcação ou a 1º linha de 4 demora demais para recompor, gerando um espaço entre os setores, os quais são constantemente aproveitados pelos adversários. Com efeito, a linha de zaga é inevitavelmente quebrada pela necessidade de um dos zagueiros saírem pra dar combate, e por conseguinte, Fagner fecha a linha na entrada da área e gera um espaço imenso no lado direito. Veja no vídeo abaixo que a situação se repete contra o Água Santa:


Novamente, a descompactação entre as linhas de marcação obriga o Gil a dar combate, quebrando a linha de zaga e gerando um efeito cascada, que culmina no espaço no lado direito da defesa do Corinthians. 

Esse é um dos grandes motivos pelo qual o time de Tiago Nunes ainda não engrenou, mas é uma mera questão de adaptação dos jogadores ao esquema. O conceito se mostra presente. 

Prosseguindo, isso se justifica nos momentos ofensivos. O Corinthians possui ideias bem interessantes na construção das jogadas de ataque. O jogo apoiado é a grande qualidade dessa equipe.
A construção desde a saída de 3 com os laterais dando amplitude. Os jogadores sempre se movimentando para gerar opções de passe entre-linhas, sobretudo Luan, o grande articulador do time. Ideias que compõem o estilo. Veja a imagem:


 Por extensão, o estilo de jogo do treinador catarinense pautado também na ocupação da grande área por uma grande quantidade de jogadores, nas triangulações para gerar cruzamentos, nas infiltrações e arremates de média distância já se mostra evidente no Timão. Conceitos que fizeram o Athlético ser Campeão do Brasil.  Os gols em cima de Guaraní-PAR e Água Santa elucidam isso.



Os números mencionados anteriormente corroboram com o que se tem visto do Corinthians nessa nova fase. Fazer uma revolução em um sistema de jogo que durava mais de 10 anos não é simples, nem tampouco rápido de se concluir. Ainda assim, mesmo com problemas, o sistema proposto por Tiago Nunes possui conceitos sólidos. A eficiência virá com a assimilação dos jogadores, bem como com as lapidadas que o técnico precisará fazer para adequar suas ideias às características do seu atual elenco. Esse deve ser o grande desafio, moldar partes do sistema conforme um novo elenco, e concomitantemente, moldar um elenco e até um clube, à um novo sistema. Leva tempo...



Imagens e vídeos de autoria do Canal Premiere, retiradas do canal InfoFut no Youtube e editadas por João Victor.

Comentários

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