Análise: Santos 1 x 0 Delfin - Falta a fluidez ofensiva de Sampaoli ao time de Jesualdo

Santos bate o Delfin na Vila Belmiro, mantém 100% na Libertadores, mas esteve longe de convencer

Foto: Uol/reprodução

Apesar de atuação pobre, Santos de Jesualdo venceu a sua 2º partida na Libertadores diante do Delfin, do Equador. O peixe lidera o grupo G da competição e fica com ótimas possibilidades de classificação na fase de grupos. Entretanto, o desempenho da equipe de Jesualdo deixou bastante a desejar mais uma vez contra um adversário fraquíssimo tecnicamente, mas que conseguiu momentos de superioridade na Vila. O time mostrou dificuldade para trocar passes e envolver o sistema defensivo do time equatoriano, algo que raramente acontecia em 2019. 

Formações iniciais

  • Santos: 4-3-3 - Éverson, Pará, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Felipe Jonatan; Jobson, Pituca e Carlos Sánchez; Soteldo, Sasha e Kaio Jorge.
  • Delfin: 4-5-1 - Baroja, González, Canga, Ale e Nazareno; Corozo, Calderon, Noboa, Caicedo e Alaniz; Garcés;
O JOGO

Dentro da Vila, o Santos tinha a obrigação de se impor frente ao Delfin. E o fez. O peixe iniciou o jogo com um volume ofensivo bem maior que o time equatoriano, sobretudo nos primeiros minutos, facilitado, também, pela postura altamente defensiva do Delfin. O desenho do Santos se baseou em um 4-3-3 com Sánchez pelo lado direito da trinca de meio e três atacantes com Sasha atuando pelo lado. Veja a imagem:


O desenho do Delfin prometia um 4-2-3-1, mas que logo virou um 4-5-1 devido à postura reativa da equipe. Por praticamente toda a 1º etapa, a linha de "três meias" atuou recuada compondo uma linha de 5 em bloco baixo. Como o time entregava a posse ao Santos para fechar espaços no campo de defesa e esperar um erro, foi difícil ver a formação variar para o "homônimo" ofensivo. A equipe equatoriana optou por se proteger e suportar a pressão santista jogando fora de casa. Por cerca de meia hora, conseguiu.

O Santos errava demais na saída de bola, principalmente com Jobson. O volante geralmente era o encarregado desse 1º passe, mas a capacidade técnica passa longe de ser a sua maior virtude. Entretanto, ele não foi o único que viveu uma péssima noite tecnicamente. Nem o Lucas Veríssimo, mais acostumado a sair jogando, acertava seus passes. O que vimos do Santos no 1º tempo foi uma profusão de passes, invertidas e lançamentos errados, algo que dificultou bastante a criação das jogadas do time de Jesualdo. Não conseguiu ter fluidez pra envolver o sistema defensivo do Delfin.


Quando conseguia fazer a bola chegar nos atacantes, preenchia muito pouco a área adversária. Soteldo era sempre o mais procurado na ponta para a jogada de 1 contra 1 e o cruzamento pra área congestionada por jogadores equatorianos. A chegada dos meias santistas precisava ser maior, mas foram raras as vezes que Pituca e Sánchez entraram na área, esse último até mais por um questão de posicionamento para pegar a bola rebatida na entrada da área. Por conseguinte, sempre havia uma superioridade numérica do Delfin na defesa.

O Santos teve a posse da bola e só. Pouco dela era concentrada no ataque. A maior parte se divida entre os dois zagueiros e Jobson, que errava demais. Pelo chão, o peixe encontrou bastante dificuldade pra furar o ferrolho e criar grandes chances, uma vez que o maior contingente de finalizações se originava de fora da área com precisão pífia.

E se não dava pelo chão, deu pelo alto.


A partir, pareceu que o panorama da partida fosse mudar à favor do Santos, o que não aconteceu. O time tentava bastante crescer motivado pelo gol marcado, mas ainda esbarrava nos erros técnicos. Foi assim durante o jogo inteiro.

No 2º tempo, a ineficiência do alvinegro praiano refletiu em sua postura. Se antes, pelo menos, ainda se impunha no jogo, nos 45 minutos finais o ritmo do time de Jesualdo caiu demais e permitiu que o Delfin crescesse na partida.

Atrás do marcador, a equipe equatoriana, enfim, passou a subir suas linhas. O 4-5-1 variava pro 4-2-3-1 com mais frequência e o time passou a pressionar a saída de bola santista, bem como a ocupar mais o campo de ataque. Veja o vídeo:


E a imagem:


O volume ofensivo do Delfin cresceu bastante na etapa final, ao passo que o do Santos despencou. Dentro da vila, o peixe foi muito pressionado e só saiu com a vitória graças a mesma ineficiência técnica do Delfin, que também assolava a equipe da baixada.

Dava pra ver que a equipe equatoriana buscava muito os lados para fazer cruzamentos. O Santos acabou baixando o ritmo da marcação, saindo pro ataque com poucos jogadores e a dificuldade nessa saída de bola piorou conforme o jogo. Por conta disso, os espaços criados pelo Santos não eram aproveitados graças à essa deficiência na troca de passes em sequência. Um desses espaços eram gerados com os avanços dos pontas atacando as costas do lateral adversário. Uma das maneiras que poderiam ter sido utilizadas pelo time de Jesualdo seria com Jobson atacando também esse espaço, e se fosse acompanhado, abriria um buraco no setor defensivo central do Delfin.

Com o avanço do Delfin, essas brechas eram recorrentes:

Foto: SporTV/ Editado por @FcAnalise  no Twitter

Na imagem, Soteldo ataca o espaço entre o lateral e o zagueiro após a quebra da ultima linha de marcação, porém, novamente,os erros técnicos e de tomada de decisão atrapalharam a progressão das jogadas do clube paulista. Por fim, o Santos de Jesualdo precisa reaproveitar o trabalho ofensivo de Sampaoli pra fazer seu time crescer na temporada. O treinador português ainda tenta encontrar esse equilíbrio entre a continuidade das ideias de 2019 e as suas.


Texto elaborado em parceira com a página Análise Santos. 
Fotos e vídeos de autoria do SporTV editados por João Victor e Wescley.


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