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O ápice do sucesso de Tite: Análise de Corinthians 1 x 0 Chelsea - Mundial de Clubes 2012

Veja como o jogo apoiado do atual técnico da seleção brasileira somado à uma grande solidez defensiva fez o Timão conquistar o mundo

Guerrero cabeceia a bola pro gol. Foto

O Corinthians de Tite viveu seu auge após bater o Chelsea campeão europeu em 2012 na final do mundial no Japão. Após 8 anos, essa continua sendo a maior conquista do clube, assim como de seu treinador na época, que hoje tenta implementar um modelo de jogo semelhante na Seleção Brasileira, seu atual cargo. 

A análise desse jogo histórico você confere aqui!


FORMAÇÕES INICIAIS

Escalações dos times. Foto / Trivela

O JOGO

Espelhados nos sistemas, ambos começaram o jogo com propostas diferentes. O Corinthians não tentou rivalizar o domínio das ações com o Chelsea, preferindo deixar a posse de bola com o time inglês, desde que ela tivesse sendo mantida pelos zagueiros. Com isso, o time de Tite iniciou a partida marcando em um 4-1-4-1 em bloco médio. Contudo, esse desenho variava conforme a marcação mudava de configuração. Esse é um ponto chave do jogo. O Corinthians passava a adotar os encaixes individuais, conforme os meias e volantes do Chelsea recuavam para iniciar a saída de bola.

Veja o vídeo:


Sempre bem postada, a equipe paulista dificultava bastante a saída de bola do Chelsea, apesar de não pressionar em bloco alto. Com o decorrer do jogo, esse tipo de postura defensiva se mostrou cada vez mais eficaz. Os Blues tinham constantes problemas para construir. Não encontravam espaços para conectar os passes. E nas raras vezes que achavam, a zona de guerra do Corinthians no meio era implacável. Os jogadores exerciam uma pressão absurda na porção central do campo, facilitada pela grande compactação defensiva do time e pela pouca amplitude.

Este é outro ponto chave do jogo de Tite. Seu time procurava sempre se posicionar de forma bem agrupada e próxima, algo que servia tanto no momento defensivo, quanto no ofensivo. 

 

Com efeito, a eficiência na recuperação da bola produziu algumas chances de pegar a defesa do clube de Londres desarrumada para um contra-ataque, bem como impediu constantemente a progressão do Chelsea no campo. Na maioria das vezes que tentava avançar através da troca de passes, era contido pela zona de guerra do Corinthians. 

Por sua vez, os Blues de Rafael Benítez apresentavam problemas de compactação na marcação, sobretudo em bloco alto, deixando um espaço muito grande entre os setores, algo que foi muito bem aproveitado pelo time brasileiro, o qual, por várias vezes, conseguiu conectar passes para sair da pressão. 


Com as duas equipes indo pro intervalo zeradas, a volta pra etapa final mudou um pouco a atitude de uma delas: O Corinthians. Contudo, os padrões que levaram o timão ao título se mantiveram. 

Um deles, e talvez o principal, é o jogo apoiado. Marca de Tite, a construção baseada na aproximação dos jogadores no setor da bola para criar linhas de passe foi um fator decisivo em um contexto de aumento da intensidade de marcação do Chelsea no 2º tempo. Veja a imagem:


E o vídeo:


Agora, rivalizando um pouco mais o controle das ações do jogo com o time londrino, o Corinthians mantinha mais a posse, ao invés de tentar o ataque rápido. Ainda assim, a criação de grandes chances de gol era escassa. No total da partida, somente 2 das 9 finalizações do time foram no alvo, ao passo que o Chelsea acertou 6 de 14. Obviamente, o aumento do ímpeto ofensivo deixou o time um pouco mais exposto, mas as linhas de impedimento e a partida monstruosa do goleiro Cássio deram conta de segurar o placar zerado. Há de se ressaltar que a tônica da partida não foi de um Corinthians dominante e propositivo, mas de uma equipe eficiente, de alto nível tático e que, dentro de suas características, tentava jogar.

Veja a imagem:


Com o time ocupando mais o campo de ataque, surge outro componente fundamental dessa equipe: Paulinho. Vindo de trás, o volante chegava frequentemente na área pra finalizar, além de aproveitar os espaços para infiltrar. Foi assim durante toda a temporada. E no jogo mais importante da história do clube, não podia ser diferente. 

Nesse sentido, por fim, a jogada inteira do gol conta com todos esses padrões chave do modelo de jogo do Corinthians de Tite. O ataque funcional associado ao jogo de apoio com proximidade no setor da bola para a criação de linhas de passe e a progressão no campo através da troca de passes que aliviam a pressão da marcação adversária. As infiltrações de Paulinho confundindo e quebrando as linhas. As trocas de posição entre os atacantes e um leve toque de sorte. 

Resultado: Corinthians Campeão Mundial. Vejam o vídeo da jogada completa que levou ao gol histórico:
  • PARTE 1

  • PARTE 2




Vídeos e imagens de autoria do Grupo Globo, retiradas do Youtube e editadas por João Victor.


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