Análise em destaque

O futebol premia a coragem - Análise de São Paulo 2 x 1 Santos

Volumoso, São Paulo bate o Santos de virada no Morumbi com portões fechados e vence o seu 2º clássico na era Diniz



Comprimento dos jogadores conforme manda o protocolo da OMS. Foto: Globoesporte

Em meio ao caos do coronavírus no esporte, o São Paulo saiu vencedor do Sansão disputado no Morumbi vazio. O tricolor bateu o Santos de virada por 2x1 e garantiu a sua classificação antecipada para o mata-mata do Campeonato Paulista. Ambos apresentaram problemas no clássico, uns velhos, outros novos.

Formações Iniciais

Foto: Sofascore App



O JOGO

Escalados em formações parecidas, São Paulo e Santos desempenharam papéis táticos bem diferentes no clássico. Em um Morumbi com portões fechados, até que o jogo em si foi divertido de assistir. Como é de praxe, a equipe de Fernando Diniz começou o jogo com um volume ofensivo absurdo, propondo o jogo e finalizando bastante. 


No vídeo acima a disposição da equipe tricolor na construção de jogadas. Daniel Alves era o homem responsável por se aproximar da linha de 3 e auxiliar a saída de bola. Com efeito, geralmente o São Paulo colocava 6 jogadores no campo de ataque. Igor Gomes atuava sempre entre as linhas de marcação do Santos que, de vez em quando, demorava pra recompor e deixava um espaço na entrada na área. O time da casa aproveitou esse espaço no início do jogo para arriscar alguns chutes de meia distância. 

Só na 1º etapa, foram 11 finalizações do São Paulo acertando 5 no alvo. Até certo ponto, dominava a partida, bem como conseguia levar perigo ao gol santista, porém com o gol teimando em não sair, a equipe começou a demonstrar alguns velhos problemas. Veja a imagem abaixo:


O tricolor montava a sua habitual saída de 3, abrindo os zagueiros e aprofundando os laterais. Contudo, como o Santos fechava muito bem as linhas de passe com seu 4-1-4-1 sem a bola, esse distanciamento da linha de zaga com os homens de frente não favorecia a saída através da troca de passes. É possível perceber apenas o Daniel Alves dando opção de passe. Por conta disso, a linha de 4 do time de Jesualdo se fechava em bloco médio e partia pra pressionar, obrigando o São Paulo a buscar as bolas longas, bem como interceptando algumas das tentativas de passe pelo chão.

Com efeito, na medida do possível, o Santos reduziu os danos causados pelo alto volume ofensivo do São Paulo. No 1º tempo, não houve nenhuma grande chance criada pelo time do Morumbi.

A postura mais reativa do peixe, contudo, não significou uma retranca. Houve momentos de pressão na saída de bola do tricolor em bloco alto, as quais deram resultado. 

À essa altura do jogo, o Santos ainda não havia conseguido finalizar nenhuma vez. Mas foi após forçar um dos poucos chutões da defesa do São Paulo que o gol saiu. Nesse sentido, o gol do Santos sai com o alvinegro aproveitando a linha quebrada do São Paulo para tabelar e gerar espaço em profundidade, o qual é observado com excelência por Carlos Sánchez. O uruguaio desmonta o sistema defensivo do tricolor com uma enfiada de bola perfeita pro Pará tocar para Arthur Gomes vindo de trás com total liberdade. Golaço! Santos toma a frente do placar na sua primeira finalização.


O lance do gol demonstra um problema central do São Paulo de Fernando Diniz: a descompactação na recomposição. Como mencionado anteriormente, há um distanciamento entre os setores de zaga e de meio no começo da construção ofensiva. Com efeito, ao perder a posse, o time demora a se reorganizar, dando possibilidade pro adversário contra-atacar. Veja a imagem abaixo: 

Contudo, no fim do 1º tempo, o volante santista Jobson é expulso após entrada criminosa em Daniel Alves. A partir disso, Diniz intensifica ainda mais o volume de sua equipe pondo Pablo no jogo no lugar do zagueiro Bruno Alves, e o São Paulo deslancha.

O 2º tempo foi um massacre, porém mais de volume que propriamente de gols. O tricolor fechou a etapa final com 75%(!!!) de posse de bola e 14 finalizações contra apenas uma do Santos. O fator um a mais pesou bastante pra virada paulista, bem como a mexida de Fernando Diniz. Se no 1º tempo, o São Paulo colocava 6, 7 jogadores no campo de ataque, no 2º eram 9. A tônica dos últimos 45 minutos foi de um ataque contra defesa. O tricolor não demorou pra empatar. Pablo aproveitou falha do goleiro do Santos em jogada de bola parada pra chutar no gol vazio. O panorama se seguiu.

O Santos se defendia em um 4-4-1 como podia, mas era difícil conter tantos jogadores no seu campo de defesa. A virada do São Paulo veio em decorrência dessa combinação: Volume ofensivo + superioridade númerica. Confira o vídeo:


Por fim, Fernando Diniz acabou sendo premiado mais uma vez por sua coragem. Pablo, escolhido por ele, não marcava 2 gols no mesmo jogo desde 2016. No lado do Santos, o time de Jesualdo teve melhor desempenho, enquanto com 11, se fechando e fazendo rápidas transições. Diniz precisa resolver o problema da descompactação entre as linhas, mas seu time segue evoluindo e vencendo. Jesualdo precisa encontrar um equilíbrio entre o seu estilo e o do legado deixado por Sampaoli no Santos.



Vídeos e imagens de autoria do Grupo Globo, coletados no canal do Youtube INFOFUT e editados por João Victor.

Comentários