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Controle x Contra-ataque: Análise de Liverpool x Manchester City - Quartas de finais da UCL 2018 (Parte 1)

Em Anfield, City de Guardiola é atropelado por um Liverpool frenético e mortal

Reprodução/UOL

No 1º jogo das Quartas de Finais da UEFA Champions League de 2018, o Liverpool venceu o Manchester City por 3 a 0. Com estilos ofensivos, mas distintos, o time de Jurgen Klopp acabou levando a melhor sobre os azuis de Pep Guardiola. Veremos como...

FORMAÇÕES INICIAIS

Escalações/ SofaScore

O JOGO

Em Liverpool, os dois melhores times da Inglaterra se enfrentaram pela 1º vez nas fases finais da maior competição de clubes do mundo. Muito aguardado, o confronto entre o Liverpool de Jurgen Klopp e o Manchester City de Pep Guardiola prometia um embate bem mais equilibrado do que realmente foi. 

O Liverpool iniciou o jogo com o seu habitual 4-3-3, ao passo que o City mudou a sua formação costumeira. Guardiola optou por preencher o meio com 4 jogadores: Fernandinho, David Silva, De Bruyne e Gundogan. Como é de praxe, o treinador espanhol objetivava a superioridade no meio para tomar conta da partida. Observe a imagem:


Os 4 homens de meio do City, na maioria das vezes, formavam um losango, apesar de todos eles flutuarem bastante durante o jogo. Fernandinho, de 1º volante, Gundogan de Meia pelo lado direito, De Bruyne pelo lado esquerdo e David Silva na frente. No ataque, Jesus atuou centralizado e Leroy Sané jogou bem aberto pela esquerda.

Dessa forma, a equipe de Pep começou o jogo dominando a posse e controlando o jogo, mas sem ameaçar o gol do time da casa. Isso porquê os Reds mostraram, desde o começo, uma solidez defensiva muito grande, favorecida pela falta de variação das jogadas ofensivas do City. 


Na imagem acima, há um ponto chave para o jogo ofensivo dos citizens não ter dado certo na partida. A inferioridade numérica. Com somente Sané e Jesus de atacantes, e o alemão fixo na ponta esquerda, o lado direito de ataque não era preenchido por ninguém. Mesmo com o avanço do lateral Kyle Walker, era raro vê-lo buscar as costas de Robertson, lado fraco da marcação por zona do Liverpool.

Com isso, os Reds se postavam de maneira bem compacta na defesa evitando o jogo entre-linhas do City e, assim, obrigando-o a trocar passes por fora, sem perigo.

Por extensão, foi em um panorama semelhante que saiu o 1º gol do Liverpool. Veja o vídeo:


Sempre bem postado e muito intenso na marcação, o Liverpool era sufocante quando o adversário tentava avançar em seu campo. No lance do gol, o City cobra um escanteio curto. Os Reds saem pra pressionar, forçando o erro de passe de Sané. Importante destacar os balanços ofensivo e defensivo do time de Klopp. Atacava com muitos jogadores prontos pra defender e defendia com muitos jogadores prontos pra atacar. Com isso, é o atacante Mané que recupera a bola após o erro de passe de Sané, e inicia o contra-ataque. 

Com mais de 40 metros pra correr, os Reds souberam usar a sua principal arma: A velocidade no contra-golpe. Salah e Firmino só precisaram de 10 segundos pra tramar a jogada que terminou em gol. 1x0.

E não demora muito pra sair o 2º.


Mesmo atrás do placar, o Manchester City não se desesperou pra atacar. Sua estratégia de controle da bola permaneceu. No entanto, a posse continuou a não ser transformada em chances de gol. A superioridade numérica no meio também não surtia efeito devido ao elemento Firmino, que preenchia bastante o setor com e sem bola.

Veja o vídeo:


Não obstante, o 4-3-3 dos Reds era bastante móvel, a linha de 3 no meio apoiava o ataque na fase ofensiva, bem como a defesa na fase defensiva. Com efeito, a organização do time como um todo funcionou perfeitamente, dificultando sobretudo a progressão do City no campo. Veja mais um exemplo:


Sem conseguir atacar, o time de Guardiola passou a ficar ansioso e, por conta disso, a errar frequentemente. Um adendo, embora pareça que foi um jogo de "ataque contra defesa", é equivocado interpretar desse modo, pelo menos nos primeiros 45 minutos. Mesmo com menos posse (45% a 55%) , o Liverpool teve um volume de jogo ofensivo maior que o do City na 1º etapa, além de ter finalizado 8 vezes (4 no gol), ao passo que o City finalizou 3 vezes (nenhuma no gol).

O 3º gol do time da casa na partida surge novamente após uma boa pressão, dessa vez em bloco alto, forçando o erro do adversário, e ganhando a 2º bola após disputa. Veja o vídeo abaixo:


No lance é possível perceber Laporte compondo a saída de 3 do City. Esse é outro elemento vital, pois a falta de laterais construtores obrigou o time de Guardiola a priorizar o meio para sair jogando. Laporte, apesar de ter bom passe, é zagueiro de ofício, e Walker é um lateral de corredor, não de construção de jogadas, efetivamente. Logo, isso foi um prato cheio pra marcação do Liverpool. Seja marcando em bloco médio ou alto, os Reds conseguiam recuperar a bola com frequência. Nesse contexto, saíram todos os gols.

Foram 3 em 30 minutos.

O City desceu pro intervalo com um 3x0 amargo e a sensação de jogo definido.

Na 2º etapa, algumas coisas mudaram, mas tônica do jogo se manteve até o apito final. Os citizens com mais posse, porém paupérrimos na criação.

Do outro lado, o Liverpool seguiu bem coordenado na defesa. Com a goleada estabelecida, se fechou. Permitiu um pouco mais o avanço do adversário em seu campo. Ainda assim, a atuação da linha de 3 composta por Oxlade Chamberlain, Henderson e Milner seguiu excelente, cumprindo à risca o seu dever defensivo. No vídeo abaixo, o City consegue progredir com o jogo entre-linhas, mas Sané esbarra na cobertura de Ox.


Ainda na tentativa de diminuir o placar, Guardiola pôs Sterling pra jogar no lado direito formando uma trinca de ataque com Sané e Gabriel Jesus, e o time melhorou. Houve maior variação das jogadas, troca de corredores (jogada começando de um lado e terminando do outro) e imposição no campo de ataque. Com Sterling, o City era menos previsível, concentrava menos o jogo no lado esquerdo e atacava as costas dos laterais do Liverpool, que sobem muito.

Observe a imagem:


No 2º tempo sim, o que se viu foi um "ataque contra defesa".

No entanto, o placar já estava resolvido. Dessa forma, Klopp pôde responder colocando mais um homem de meio campo para conter a ofensividade do City, e conseguiu. O time de Pep Guardiola terminou o jogo sem nenhuma grande chance de gol criada. 

Por fim, em Anfield, Klopp venceu Guardiola. Anulou completamente seu jogo e largou na frente com uma vantagem ampla e uma atuação de gala de seus comandados.

DADOS DA PARTIDA: 

- 1º imagem: Liverpool ( Canto esquerdo) x Manchester City (Canto direito)


Imagens do aplicativo SofaScore.

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