Mortal até para os tubarões - Análise de Manchester City vs Liverpool UCL 2018 (Jogo de Volta)

Em Manchester, nem mesmo os 5 atacantes de Guardiola foram suficientes para bater o estoico Liverpool



Reprodução/OneFootball

No 2º e derradeiro capítulo do confronto entre os maiores times da Inglaterra, o Manchester City precisava reverter um placar de 3 a 0 diante de seus torcedores. Após serem engolidos em Liverpool, os tubarões tentaram dar uma resposta à altura do massacre sofrido no jogo de ida das quartas de final da UEFA Champions League.

FORMAÇÕES INICIAIS

Escalações das equipes. / BeSoccer

O JOGO

O Liverpool chegou ao Etihad com uma vantagem confortável após o triunfo em casa. Nesse contexto, o time de Jurgen Klopp entrou em campo com o objetivo de segurar o ímpeto ofensivo do City e segurar o resultado. Por outro lado, Guardiola montou um time altamente ofensivo pra tentar a virada improvável. 

Dessa vez, os citizens vieram em um 3-6-1 sistema inicial. No entanto, dentro de campo, o City jogou a maior parte do tempo em um 3-3-4, que variava pra um 2-3-5 na medida em que o time da casa encurralava o Liverpool no seu campo de defesa.

Observe as imagens:


Nesse sentido, ao contrário do modo usual, Guardiola não usou laterais como alas, mas sim meias/atacantes. Bernardo era um "falso ala" pela direita, enquanto Sané fazia essa função na esquerda. Ambos era responsáveis pelos corredores. Contudo, Sané se comportava mais como um atacante que Bernardo Silva, uma vez que o português se posicionava no meio pra dar apoio no início das jogadas.

Como é de praxe, a equipe de Pep Guardiola começou pressionando bastante a saída de bola do Liverpool, que perdia a posse rapidamente. Logo, foi desse modo que o City marcou o 1º gol do jogo com apenas 02 minutos de partida. 

Veja o vídeo:


No lance, Gabriel Jesus e Sterling estão posicionados para pressionar a saída do Liverpool. Após Van Djik receber, Sterling aperta e força o erro do zagueiro (com falta, na minha visão, mas não marcada). A bola encontra Fernandinho, que quebra a marcação desorganizada dos Reds com um passe incisivo primoroso para Sterling aproveitar o 2 contra 1 e servir o camisa 9 brasileiro livre pra marcar. 1x0 e o Etihad pega fogo!

A partir disso, o City aumenta ainda mais o seu volume de jogo e passa a dominar quase que por completo as ações da partida, enquanto o Liverpool tenta suportar a pressão como pode e abusa das bolas longas, a maioria sem direção nem precisão. Mesmo que adotando uma postura mais recuada que no jogo de ida, o time de Jurgen Klopp também não abria mão da sua costumeira marcação em bloco alto. 

Veja o vídeo:


Enquanto o Manchester City tentava fazer a saída de bola com duas linhas de 3 (David Silva recuando pra dar apoio), o Liverpool colocava o seu habitual 4-3-3 bem adiantado com a linha de meio e a de ataque reduzindo ao máximo os espaços. Não obstante, o lateral do lado da bola era incumbido de apertar a marcação no possível receptor da bola no corredor. Com isso, o time conseguia evitar a superioridade numérica do City e induzi-los ao erro. 

Entretanto, tal estratégia não funcionou como na partida em Anfield. Isso porquê Guardiola entrou com Bernardo Silva e Sterling e saíram Kompany e Gundogan. Portanto, agora o City possuía mais dois jogadores mais ofensivos, sendo um deles, Bernardo, capaz também de construir o jogo de trás. Assim, David Silva pôde recuar para auxiliar Fernandinho e De Bruyne sem que o time ficasse em inferioridade nos demais setores. 

Observe o vídeo com atenção:


Outro aspecto tático de Guardiola na partida, foi o posicionamento de Fernandinho. Com a bola, era um volante responsável por dar apoio e ajudar o time a progredir no campo do adversário. Sem ela, recuava até a linha defensiva para compor uma linha de 4 defensores junto à Walker, Otamendi e Laporte no 4-1-4-1 do time sem a bola. Observe as imagens abaixo:


Com 3 a 1 no placar agregado, precisando fazer mais dois pra levar a disputa aos pênaltis e uma atmosfera alucinante em seu estádio, o City se impôs completamente durante toda a primeira etapa. Foi um massacre de posse, volume ofensivo e finalizações. Para se ter ideia, a equipe desceu ao vestiário com 70% de posse de bola, 14 finalizações e 332 passes trocados, enquanto o Liverpool terminou a primeira etapa com 30% de posse, 2 finalizações e 139 passes trocados. Porém, o magro 1x0 se manteve.

No 2º tempo, o Liverpool começou a se adiantar mais e a ocupar o ataque com mais frequência. Temendo um possível 2x0, o time de Klopp passou a rivalizar o controle do jogo com o City. A pressão em bloco alto é um ponto chave. E bastaram apenas 11 minutos para a "mudança" de estratégia dar resultado. 

Veja o vídeo: 


Após pressionar e recuperar a posse, o Liverpool inicia uma saída de bola com Karius, que ao ser pressionado, da o chutão. Os Reds se agrupam e ficam com a 2º bola após disputa, iniciando a construção do ataque que terminará com Salah recebendo no espaço deixado por Fernandinho e a combinação com Mané. O Liverpool empata após jogada brilhante do senegalês e aproveitamento do rebote por Salah. 1x1. Mais uma vez, o time de Klopp se aproveita muito bem dos erros de marcação do City. Fernandinho fazendo essa dupla função era um risco, pois no menor deslize, se abriria um espaço na linha de zaga passível de ser explorado em velocidade. E foi o que aconteceu.

1x1 e o balde de água fria sacramentou a eliminatória. O City precisava, agora, fazer 4 gols para se classificar. Mas o time sentiu o golpe.

Após o empate, os visitantes voltaram a se fechar pra segurar a vaga aparentemente definida. Veja a imagem abaixo:


Com efeito, os citizens continuaram a dominar o jogo e a produzir finalizações, mas, como foi durante toda a eliminatória, levando pouquíssimo perigo. Guardiola foi expulso e nada pôde fazer para motivar o seu time da arquibancada. Mesmo com as suas mudanças e a grande melhora do time no jogo de volta em casa, o City não foi capaz de transformar o altíssimo volume em gols.

Por fim, já no fim do jogo, em mais um momento de pressão dos atacantes do Liverpool, sai o gol derradeiro. 


Firmino, que teve ótimas atuações e cumpriu muito bem suas funções táticas na eliminatória, roubou a bola e concluiu com categoria. No final, o Liverpool só precisou de 5 finalizações para virar o placar, enquanto o City terminou com 20 e a derrota.

Liverpool 2 x 1 Manchester City no Etihad Stadium. Liverpool 5 x 1 Manchester City no agregado das quartas de final


  • DADOS DA PARTIDA:


Imagens retiradas do app SofaScore.

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