A versátil e encantadora equipe de Nagelsmann - Análise do RB Lepzig 2019/20

Jovem, como seu treinador, o Leipzig de Julian Nagelsmann vem encantando a Alemanha com seu futebol vertical e primaveril

Reprodução/GloboEsporte

No momento (16), ocupando a 3º colocação da Bundesliga, o Campeonato Alemão, e a 5 pontos do líder Bayern, o RB Leipzig faz uma temporada brilhante sob o comando do treinador alemão Julian Nagelsmann. O time vem evoluindo a cada ano, vivendo, até agora, o seu ápice nessa temporada 2019/2020. Não obstante, a equipe se classificou para as quartas de final da UEFA Champions League com duas vitórias acachapantes em cima do Tottenham de José Mourinho. Vertical, transitivo e com um jogo ofensivo bastante fluido, esse é, sem dúvida, um time para ficar de olho.

FORMAÇÃO HABITUAL

Escalação. Foto: Footure

ANÁLISE TÁTICA

Na Bundesliga, o Leipzig ostenta o 3º melhor ataque da competição, a 2ª melhor defesa, além de ser a 2º equipe que mais finaliza por jogo e a 2º que mais desarma. Esses são alguns números que exemplificam a consistência do time de Nagelsmann. Não só no ataque, como também na defesa.

  • Fase Defensiva
Versátil, o RB Leipzig varia bastante o seu sistema durante os jogos, e dentro de um mesmo jogo. De forma mais comum, sem a bola, a equipe utiliza o 4-4-2, principalmente em bloco médio, na organização defensiva. Observe a imagem abaixo:

4-4-2 em bloco médio-baixo
Com duas linhas de 4 bem compactadas e dois atacantes mais à frente para o primeiro combate, o time alemão reduz os espaços entre as suas linhas, com o objetivo de impedir que o adversário progrida por esse caminho, e, assim, obrigando-o a trocar passes por fora. No entanto, esse sistema varia, conforme as linhas de marcação sobem para exercer uma pressão mais alta.


Ofensivo, o Leipzig costuma pressionar a saída de bola dos rivais, embora não o faça o tempo inteiro. O time prefere alternar com a marcação em bloco médio, se fechando para sair com velocidade na transição.  Na imagem acima, Schick recua e forma uma linha de 3 jogadores com Forsberg e Sabitzer, que avançam, deixando Werner mais adiantado e os dois volantes dando sustentação no círculo central.

A última das variações de sistema na marcação, é o 4-3-3. Por ser um esquema que confere um pouco mais de profundidade e mobilidade, tem sido outra boa alternativa para executar o pressing.

Veja a imagem:


E o vídeo:

O time da Saxónia marca em bloco com muita coordenação e sincronismo. A ideia de Nagelsmann é sempre ter superioridade, sobretudo pelo lado. Para tal, o uso dos triângulos é uma peça fundamental, como pôde-se perceber no vídeo. Ágil, o Leipzig flutua suas linhas com facilidade, marca por zona e controla muito bem os espaços. Isso vai se refletir na parte ofensiva. 

Contudo, como nenhum esquema é isento de fragilidades, o ponto fraco do Leipzig fica por parte da vulnerabilidade aos contra-ataques, principalmente, no momento de perda da bola no meio, e também, embora em menor grau, nas bolas paradas.

Veja os vídeos:


Em primeiro plano, como veremos mais à frente, a equipe alemã possui a característica de avançar os seus laterais até a linha de meio na saída de bola, deixando apenas a dupla de zaga na retaguarda, visto que os volantes também se posicionam mais adiantados. Logo, se houver um erro de passe, a vulnerabilidade ao contragolpe é muito grande, justamente por conta desse espaço nas costas dos laterais. Contra um adversário veloz pelos lados, como o Borussia, isso pode ser fatal.


No que se refere às bolas paradas, o Leipzig marca por zona. No vídeo acima, são 5 jogadores em linha na pequena área, um na sobra pelo lado da cobrança e outro no meio. Com efeito, os jogadores do Leipzig acabam deixando Hummels livre para se movimentar e cabecear. É eficiente para afastar a possibilidade do cabeceio ocorrer dentro da pequena área, mas ainda oferece risco para uma finalização perigosa.

  • Fase Ofensiva
Com a bola, a organização do RB Leipzig salta aos olhos. Na saída de bola, como já mencionado, os zagueiros são responsáveis pelo 1º passe. Ambos abrem, enquanto os laterais avançam. Por conseguinte, o 1º volante é o encarregado de servir como o apoio nos dois lados. Sempre procurando triangulações para criar linhas de passe e facilitar a progressão. Observe o vídeo abaixo:


Após a saída, o time desempenha um ataque posicional para se instalar no campo de ataque com muitos jogadores. A ocupação dos espaços gera inúmeras superioridades posicionais pelo campo, as quais são possibilitadas por essa postura altamente ofensiva, colocando 8 jogadores no campo do adversário, às vezes 10, com a dupla de zaga avançando para além da linha divisória do gramado.

Veja a imagem:


Esse posicionamento é baseado na proximidade, possibilitando o jogo apoiado. Os apoios são fundamentais no futebol moderno para o sucesso do trabalho ofensivo de qualquer equipe, e o time de Julian Nagelsmann executa o jogo apoiado impecavelmente. É uma equipe especialista em criar linhas de passe, gerando até 4 opções de passe para o portador da bola. Observe dois exemplos:

Exemplo 1:

Exemplo 2:


Em ambos os exemplos contidos nos vídeos acima, a proximidade formando triângulos possibilita a progressão, bem como a criação de jogadas de perigo, confundindo o sistema defensivo dos adversários com toques rápidos e passes de ruptura. Um detalhe importante: O preenchimento dos espaços pelos inteligentíssimos Forsberg e Sabitzer entre as linhas de marcação do adversário é um fator preponderante para causar esse desequilíbrio. Não obstante, as trocas de posições também são marcas desse Leipzig intensamente móvel. Werner flutua por todo o campo na procura de espaços, bem como de criar aberturas para seus companheiros. Tudo bem sincronizado, com verticalidade e velocidade. E assim, o time cria oportunidades de gol.

Veja o vídeo:


E por fim, o contra-ataque. O RB Leipzig não é propriamente um time que prioriza a intensa valorização da posse de bola. A ideia é, claro, ficar com ela, mas verticalizar sempre que possível, usando a velocidade, a movimentação e as trocas de posições para confundir a marcação e romper as linhas defensivas. Observe os vídeos:


Muito rápido nas transições, o time possui um apetite insaciável pelo gol. Cria muitas oportunidades. Utiliza um belo arsenal de estratégias com eficiência para explorar as fraquezas do sistema defensivo do adversário. Procura ter a bola e ser agudo. É um time "box to box", se pudesse definí-lo. Ataca e se defende muito bem e com muita intensidade. As atuações do Leipzig mostram um vai e vem incessante, cadência não é prioridade. E pra encerrar, o craque do time: Timo Werner. O caçador de espaços nas linhas defensivas adversárias, usando sua velocidade para tirar proveito, fora a qualidade para concluir.



O representante máximo do que é o RB Leipzig de Julian Nagelsmann. Um time que joga com jovialidade, que é veloz e imprevisível. Intenso e de muita vitalidade.

Feito com KlipDraw.

Comentários

Postar um comentário