Como o Borussia Dortmund goleou o Schalke no revierderbi? - Análise compacta do clássico alemão

Após 2 meses, o futebol finalmente retornou por meio da Bundesliga e com goleada no clássico do Vale do Hür

Foto: GloboEsporte

O Campeonato Alemão foi a primeira grande liga européia à retomar os jogos em meio à pandemia do Coronavírus. Graças ao combate bastante eficiente do vírus pelo governo Alemão, o país se encontrou em condições de retornar com o futebol. Obviamente, com todo um protocolo de saúde rígido a ser seguido por todos os clubes participantes. Nesse sentido, a 26ª rodada foi aberta com nada menos que o clássico entre Borussia Dortmund e Schalke 04, vencido facilmente pelos aurinegros. Veremos como...

ESCALAÇÕES INICIAIS

Imagem: BeSoccer

ANÁLISE TÁTICA

Em Dortmund, o Borussia precisava vencer para continuar na cola do líder Bayern, assim como o Schalke, que busca vaga nas competições europeias. No entanto, o BVB não pôde contar com alguns dos seus tiulares, caso de Witzel e Marco Reus, lesionados. Sancho começou no banco.

Ambos os times entraram no jogo com uma formação com 3 zagueiros. Contudo, o BVB de Favre, como é de praxe, com Hakimi e Guerreiro bem adiantados. Enquanto o Schalke, por sua vez, atuou mais frequentemente com uma linha de 5 na defesa, evitando subir os dois alas ao mesmo tempo. Observe a imagem abaixo:


 Na imagem, o Schalke está montado para marcar em bloco médio-alto com o objetivo de pressionar a saída do Borussia. Dito isso, o time forma uma linha de 5 na defesa com 3 zagueiros e 2 alas. Repare que os alas estão em alturas diferentes do campo para fazer o balanço ofensivo. Foram raras as vezes que os dois atuaram na mesma linha, o que se tornou um problema no momento de defender. No meio, a alternava entre uma linha apenas com os dois volantes, deixando 3 jogadores na frente, com uma linha de 4 no meio e apenas um atacante avançado, estabelecendo um 5-4-1. 

A deficiência dos visitantes em conter os avanços do Borussia pelos flancos se fez presente desde o início da partida.

Veja o vídeo:


O espaço nas costas do ala no lado esquerdo da defesa do Schalke foi amplamente explorado pelo velocíssimo Hakimi. Aliás, um dos pontos fortes do Borussia é a transição ofensiva em velocidade e o contra-ataque com o lateral marroquino como peça fundamental no apoio. E no clássico não foi diferente. 


Sempre em velocidade, o Borussia encontrou muito espaço pelos flancos, nas costas dos alas do Schalke 04. Um deleite para Hakimi e Guerreiro. Outro ponto importante é a atuação de Brandt, Hazard e Haaland por dentro, entre-linhas e atacando também a linha defensiva do adversário. O Schalke ficou confuso entre pressionar os homens por dentro e por fora, possuindo muita dificuldade em conter os enormes espaços que se abriam no último terço do campo.

Nesse sentido, é a partir disso que o 1º gol dos aurinegros se origina:


O Borussia constrói seu gol com uma saída de 3 com Akanji, aberto, Hummels, por dentro, e Piszczek aberto no lado direito. É o polonês quem conecta o passe entre-linhas com Brandt no meio espaço. O posicionamento de Brandt obriga o 3º zagueiro a sair pra dar combate, gerando um espaço imenso nas suas costas. Com efeito, o Alemão desmonta toda a defesa com um toque pra Hazard, que sai de dentro e ataca esse espaço nas costas do zagueiro, o qual também seria fatalmente por Hakimi nas costas do ala. Com a defesa desmontada, Hazard tem tempo para cruzar bem e Haaland marcar.

O domínio aurinegro, sobretudo após o 1º gol, foi amplo, no que se refere às ações do jogo, uma vez que a posse da bola do Schalke era maior. A estratégia era eficiente. Marcar forte - roubar a bola no ataque ou no meio - transitar em velocidade. E cada passo foi cumprido muito bem. 

Veja o vídeo:


Essa foi a tônica da partida. Logo, o 2º gol segue o mesmo panorama.


E o 3º também:


Nesse gol, há outro detalhe importante da eficiência do jogo do Borussia Dortmund no clássico. O modo como o time reduz o espaço efetivo de jogo, criando uma zona de guerra bastante compacta e com superioridade em volta do portador da bola e dos possíveis receptores de passe mais próximos desse jogador. Com isso, a equipe consegue roubar a bola e sair mais uma vez em contra-ataque com muita velocidade pegando a zaga do Schalke exposta e totalmente desorganizada.

No útlimo e derradeiro tento da partida, a mesma coisa acontece. Transição ofensiva em velocidade com a exploração dos espaços pelos flancos com ala. Nesse caso, Raphael Guerreiro. E boa concatenação de passes e movimentações. A tabela com Haaland, que dá opção entre as linhas para receber o passe de Guerreiro, que infiltra na linha defensiva, e o passe de ruptura no momento exato do norueguês para deixar o lateral português livre pra marcar mais um belo gol da equipe de Lucien Favre. 
Observe o vídeo abaixo:


Por fim, com apenas 3 finalizações no gol do adversário e nenhuma chance criada, o Schalke 04 pouco ameaçou o gol do BVB. Desequilibrado, não conseguiu se impor e chegar com um grande contingente no setor de ataque. A melhor de suas chances foi após um bate rebate dentro da área, em que Caligiuri leva a melhor e finaliza para a boa defesa de Román Burki. 

Veja o vídeo:


Nessa ocasião, inclusive, o Schalke 04 consegue fazer com êxito o que o Borussia fez em toda a partida. Roubar a bola no meio, transitar em velocidade e finalizar na área adversária. 

No mais, o BVB foi soberando do dérbi do vale do Hür, conseguindo uma goleada com muita propriedade em cima de um grande rival. 

NÚMEROS DO JOGO:



  • Imagens da FOX Sports e editadas com Klip Draw.
  • Dados do jogo retirados do app SofaScore.

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