O grande Superclássico: Análise de Boca x River - Final da Libertadores 2018 (Jogo de Ida)

Boca Juniors e River Plate travam primeira batalha alucinante e bastante equilibrada na Bombonera




Debutando na final da maior competição do continente, o Superclássico argentino traz Boca e River em momentos distintos. O Boca, vivendo um período menos vencedor, levantou a última taça da Libertadores em 2007, enquanto o River, em uma redenção absurda pós rebaixamento, tem a chance de levantar a sua 2ª taça em 4 anos. 

ESCALAÇÕES INICIAIS

Escalações das equipes. Foto: BeScoccer

O JOGO

Diante de uma Bombonera lotada, o Boca entrou no jogo buscando o gol com bastante ímpeto. Montado em um 4-3-3 com bola e num 4-1-4-1 sem ela, a equipe de La Boca foi quem tomou a iniciativa começo da partida. Veja as imagens abaixo:


Por outro lado, o River de Marcelo Gallardo, que estava suspenso, adotou uma estratégia um pouco mais conservadora fora de casa. Mais reativo, procurou fortalecer sua linha defensiva com a adição de mais um zagueiro, formando uma linha de 5 sem bola. O objetivo era conter o ímpeto ofensivo do Boca e sair no contra-ataque. Nesse sentido, apesar desse contraste entre posturas, o jogo em si foi fluido. O nível de disputa não permitiu que nenhum dos dois times tivessem domínio claro e amplo da partida.

Como dito anteriormente, o River entrou com 3 zagueiros. O sistema era uma 5-3-2, pois Pitty Martínez recuava para o posto de armação, além de recompor defensivamente. Observe a imagem:


Acima, é possível ver Martínez recuando para ajudar no trabalho defensivo, no momento em que o River procura retardar o avanço do Boca para se reorganizar. Como a equipe de Schelotto possuía 3 atacantes de boa mobilidade, a linha de 5 na defesa possibilitava que houvesse sempre um zagueiro na cobertura, ao passo que, com a bola, mantinha um bom nível de sustentação para o avanço dos alas pelos flancos. 

Nesse contexto, como era de se esperar, o superclássico, nos primeiros 30 minutos de bola rolando, foi bem mais pegado que propriamente bem jogado. Sobretudo no meio de campo, os jogadores de Boca e River travaram verdadeiras batalhas pela posse da bola, ou melhor, para impedir a progressão de um ou de outro. Por conta disso, não houveram muitas chances.

Até que chega o minuto 33. O ponta Pavón, que fazia boa partida e sentiu uma lesão na posterior da coxa esquerda, já tinha sido substituído pelo iluminado Darío Benedetto. A partir daí, o jogo se inflama de forma incrível. Na primeira grande chance criada através de uma bela troca de passes do Boca, Ábila não desperdiça.

Veja o vídeo:



No lance do gol, Ábila é inteligente para procurar o espaço no lado fraco da marcação por zona do River, aproveitando a subida dos laterais para marcar na linha de meio. Com efeito, o Boca gira bem o jogo e encontra o centroavante com tempo e espaço pra fazer a jogada mais rápido que a cobertura e marcar no rebote. 1x0. 

Boca em vantagem, mas só por 10 segundos.

Isso porque, logo após a saída do River pro recomeço do jogo, a defesa do time da casa se distrai o suficiente para permitir a entrada de Pratto em facão nas costas da zaga pra receber um passe primoso de Pitty Martínez e igualar o jogo. Veja abaixo:



O gol de Lucas Pratto se tornou o mais rápido da edição de 2018 da Libertadores. Vale destacar a excelente leitura do atacante para perceber o espaço gerado após um dos zagueiros do Boca se adiantar pra diminuir a liberdade da opção imediata de passe de Martínez. 

1x1. A Bombonera nem teve tempo de comemorar. 

À essa altura, o River encontra espaço no lado direito de ataque com as subidas de Casco. Algo que voltará a se repetir na etapa final.

O jogo pegado e com muitas faltas, gerou oportunidades de bola parada cujos dois times vieram a se aproveitar. Primeiro, o Boca com a estrela de Benedetto.



No fim do 1º tempo, o Boca foi inteligente na estratégia de bola parada ao usufruir da marcação mista do River para pôr Benedetto na porção central da grande área, onde só estava sendo marcado por um homem. Logo, bastou uma boa cobrança para a bola alçada encontrar o atacante cujo movimento certeiro pôs o mandante na frente do placar mais uma vez.

2x1, e os times saíram do 1º tempo com 65 duelos disputados com vantagem pro River, que ganhou 34.

Na etapa final, o River passou a ser cada vez mais perigoso. Mais qualificado, conseguia construir jogadas de perigo com maior frequência que o seu adversário. O Boca sofria com os ataques no seu lado esquerdo de defesa.

Veja o vídeo:


No vídeo, o River sai em transição ofensiva. Nesse sentido, a movimentação dos atacantes Pratto e Borré era fundamental pra progressão do time no ataque. No vídeo acima, é Pratto quem sai da referência, cai pelo lado e consegue uma bela inversão para Casco, que tem um enorme espaço pra atacar. A marcação por zona do Boca deixava espaços no lado contrário da bola, os quais dependiam de uma rápida flutuação da última linha do time para serem reduzidos. No entanto, o River era mais rápido, apesar de cometer alguns erros técnicos nesse último passe, ou cruzamento.

Nesse sentido, Los Millionarios cresceram no jogo. 

O volume ofensivo do River Plate foi bem superior ao do Boca na 2º etapa. E o gol de empate não demorou a sair. Novamente, a bola parada surge como protagonista. Agora, do lado contrário.

Veja o vídeo:


Em lance, de certo modo, parecido com o do gol de Benedetto, o River conseguiu o seu 2º gol após falta bem batida por Matínez. Pinola se livra da marcação, confunde os jogadores do Boca e gera 1 segundo de tempo e espaço para Pratto disputar a bola, que acaba sendo desviada pelo defensor do time de Schelotto na direção do próprio gol. O River faz valer um de seus pontos fortes e um dos pontos fracos do adversário na competição. O time alvirrubro obteve 30% de seus gols através das bolas paradas, ao passo que o Boca Juniors sofreu 55% de seus gols após faltas e escanteios. 

Posteriormente ao gol de empate, o auxiliar técnico de Gallardo, responsável por dirigir a equipe com a suspensão do comandante, pôs Nacho Fernandez no vaga do zagueiro L. Martínez. Diante disso, o River passou a preencher mais o meio de campo atuando em um 4-1-3-2 sem a bola.

Observe a imagem:


A modificação tática surtiu efeito e a equipe teve mais domínio no setor.

A partir disso, o Boca ainda colocou Tévez na tentativa de ir pra cima do rival e vencer o jogo. Contudo, a superioridade numérica do River no meio dificultava a trama de jogadas ofensivas do Boca. Mesmo assim, a equipe da Bombonera ainda produziu uma grande chance de sair de seu estádio em vantagem, mas dessa vez a estrela de Benedetto deixou a desejar.

Veja o vídeo:


Aos 44 minutos do 2º tempo, em uma das poucas vezes que o Boca conseguiu furar a defesa do River pelo meio, a qualidade do Apache e de Ábila desmontou o sistema defensivo dos milionários. E depois de Tévez invadir o espaço nas costas de Maidana e rolar pro Benedetto, livre, marcar, o goleiro Armani se sai melhor e garante o empate fora de casa.

O amuleto perdeu um gol feito que poderia mudar o rumo da decisão...

DADOS DA PARTIDA:



  • Imagens retiradas do aplicativo SofaScoreBrazil.



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