Campeão da Copa da Itália e adversário do Barcelona, como joga o time de Gattuso? - Análise tática do Napoli 2019/20

Com traços marcantes herdados de Ancelotti, o Napoli de Gattuso vence título importante e ganha moral na busca por uma melhor solidez

Imagem: Veja - Grupo Abril

O Napoli conquistou a sua 6ª Coppa Itália e levantou a taça de campeão após bater a Juventus de Sarri e Cristiano Ronaldo por 4 a 2 na disputa de pênaltis. O título coroa uma equipe que vem demonstrando um futebol ofensivo e bonito já há alguns anos, mas que carece de regularidade e solidez na defesa. Gattuso chegou justamente para acertar esse aspecto do jogo Napolitano. Logo, veremos que a equipe ainda tem sido irregular na temporada, mas que tem na partida contra a Juve a esperança de estar no trilho correto para aliar o ótimo jogo ofensivo com uma maior segurança defensiva, algo fundamental pra sequência na Série A e na UEFA Champions League.

FORMAÇÃO HABITUAL

Koulibaly costuma ser o titular no lugar de Di Lorenzo. Fonte: BeSoccer

ANÁLISE TÁTICA

  • Fase Defensiva
O Napoli de Gattuso é um time organizado no 4-3-3 com um meio campo muito qualificado com e sem bola, além de dois pontas de bastante velocidade e recomposição. Sem bola, os pontas Insigne e Callejón possuem papel fundamental na parte defensiva, formando uma linha de 4 com os dois meias mais avançados e, eventualmente, acompanhando as subidas dos laterais adversários.

Nesse contexto, a equipe se defende em um 4-1-4-1, que pode se comportar como um 4-5-1 devido à proximidade do 1º volante com a linha de 4 no meio para ajudá-lo na área de cobertura no meio de campo. Observe a imagem abaixo:


No entanto, a distância entre as linhas de marcação do Napoli, por vezes, fica maior do que o ideal, gerando espaços. Na imagem acima, é possível perceber um jogador do Lecce livre nas costas do volante Fabián Ruíz, que atua entre as duas linhas de 4. Portanto, esse desarranjo é um dos principais pontos de vulnerabilidade da equipe de Nápoles.

Veja o vídeo:


Não à toa, o Napoli é apenas a 9ª melhor defesa do Campeonato Italiano com 36 gols sofridos em 26 jogos disputados. Média de 1,38 gols, mais de um tento tomado por jogo.

Como a equipe tem como fundamento da sua forma de jogar ter a posse da bola, um dos aspectos herdados da época de Carlo Ancelotti, a marcação feita em bloco alto é um hábito, seja dentro ou fora de casa.


Contudo, essa é uma tática que vem mudando com Gattuso, que prefere se adequar ao adversário. Contra a Juve, o Napoli praticamente não marcou no campo ofensivo. Ainda assim, ao longo da temporada, inclusive com Gattuso, o time apresentou esse tipo de marcação com frequência. Por extensão, como mencionado anteriormente, a descompactação entre os setores nessa pressão tem ocasionado muitos problemas defensivos. A falta de coesão facilita que o adversário consiga sair da pressão, transpondo as linhas e pegando a zaga desguarnecida.

Veja o vídeo:


O espaço nas costas de Fabián Ruíz é procurado pelos adversários e utilizado pra sair da pressão alta do time de Nápoles, uma vez que a linha de zaga dificilmente passa da intermediária ficando distante demais do volante, o qual não tem cobertura quando os adversários passam da primeira linha de 4. 

Não obstante, o Napoli não utiliza a pressão pós perda, forma bem eficiente de neutralizar potenciais contra-ataques após a perda da posse. A equipe italiana prefere retardar a progressão do adversário até que o time realiza a recomposição e se poste pra iniciar uma nova pressão. Observe o vídeo a seguir:


Não que seja uma estratégia ruim, já que o retardamento da tempo pro time se reorganizar e impedir a transição em velocidade do adversário. Entretanto, nem sempre o Napoli consegue recompor rapidamente, o que também contribui pra vulnerabilidade aos contra-ataques.

  • Fase Ofensiva
Colocando em números, o Napoli é o time com a maior média de posse de bola da Série A (59,8%), o 1º em passes certos por jogo (518), o 2º em cruzamentos precisos por jogo (5,5) e o 2º que mais finaliza por jogo (14). As estatísticas são um resultado da proposta ofensiva do time de Gattuso, que gosta de ter a bola e trabalhar o ataque posicionalmente.

Veja o vídeo:


Bem como, de realizar uma saída de bola limpa, por meio de passes curtos.


Fabián Ruíz é a peça preponderante pro sucesso do jogo Napolitano. É quem buscar baixar pra receber o passe e fazer a saída, ou pra dar apoio aos laterais nas triângulações que também urgem da aproximação do ponta do lado onde estiver a bola. O jogo apoiado é uma grande característica dessa equipe. Importante na manutenção da posse e na progressão, o apoio cria linhas de passe, o que da fluência e facilita as trocas de passe. Pra isso, os jogadores buscam estar sempre próximos do setor da bola. Observe as imagens abaixo:


Com efeito, cada jogador possui 3, às vezes 4, opções de passe. A aproximação também gera superioridade numérica no setor, dificultando a marcação do adversário. A concentração no setor da bola origina espaços no lado oposto, o qual há sempre um ponta em amplitude para o caso de uma inversão de jogo.

Não obstante, no caso de uma transição um pouco mais veloz, os pontas podem cair por dentro, entrelinhas, pra rompê-las de modo mais vertical.


Nesse sentido, os meias acompanham a jogada e chegam ao ataque. É comum vê-los pisando na área pra proporcionar uma situação de igualdade numérica com os defensores adversários. Por extensão, a utilização do 4-3-3 condiciona esse "box to box" dos jogadores de meio campo.


Evidentemente, o grande volume ofensivo do Napoli resulta em muitas finalizações. No entanto, a maior parte delas se concentra em arremates feitos fora da área com menos precisão, o que justifica o fato de o time de Gattuso ser apenas o 6º que mais marca. São 41 gols em 26 jogos. Pra quem finaliza 14 vezes por jogo, a média, que não chega a 2 gols por jogo, é baixa. Outro dado interessante: Em virtude do azar ou dessa ineficiência nas finalizações, mais provável, o Napoli é a equipe com mais finalizações na trave do Campeonato Italiano com 19 arremates no poste.

Dessa forma, o time é mais perigoso em transição, quando encontra espaço para usar a velocidade e criar chances mais claras de marcar.

Veja o vídeo:


Por fim, o Napoli de Gattuso pode ser identificado como um time que, ainda, gosta de ter a posse da bola e sabe bem o que fazer com ela, mas que, sob o comando do novo comandante, pode optar por uma postura mais reativa circunstancial pra jogar em velocidade com os ótimos Insigne, Callejón e Mertens, além do artilheiro Milik. A espinha dorsal formada por Koulibaly, Ruíz, Zielinski e Insigne é bem interessante.

Comentários

  1. Parabéns João Vitor. Muito boa a matéria

    Gostaria que fizesse uma matéria sobre os clubes cariocas.

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  2. O time do Napoli e médio mas está em ascenção.

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