Sarri leva Juve à final sem conseguir fazer seu trio coexistir - Análise compacta de Juventus x Milan pela Semifinal da Coppa Itália

Expulsão de Rebic decide classificação da Juventus em jogo apático e sem brilho da trinca estrelada da velha senhora




Foto: UOL

No retorno do futebol italiano aos gramados, Juventus e Milan não conseguiram balançar as redes em jogo válido pela Semifinal da Copa da Itália. A partida de ida também havia terminado empatada com o placar de 1x1 no San Siro. Dessa forma, a equipe de Turim possuía a vantagem do empate sem gols para ir à final da competição. O jogo prometia bem mais do que realmente entregou, e demonstrou, mais uma vez, a dificuldade de Maurizio Sarri para fazer a sua equipe protagonizar uma atuação convincente.

ESCALAÇÕES INICIAIS

Fonte: BeSoccer

ANÁLISE TÁTICA

Com Paquetá no time titular, o Milan entrou em um 4-2-3-1 com o veloz Rebic como o homem mais avançado. Já o time da casa entrou em campo no tradicional 4-3-3, a novidade era a escalação do trio de ataque mais pedido pela torcida. Douglas Costa, Dybala e Cristiano Ronaldo começaram jogando juntos após o técnico da velha senhora dizer em uma entrevista que é dificil fazer com que eles coexistam. 
E nesse 1º jogo de retomada, a trinca esteve longe de estar afiada.

Jogando em casa, a Juve tomou a iniciativa da partida. Propôs o jogo, se impôs e procurou o gol desde o 1º minuto. A equipe procurou aproveitar ao máximo a velocidade da dupla brasileira Douglas Costa e Alex Sandro pelo lado esquerdo. Veja o vídeo abaixo:


Ambos procuravam explorar o lado direito da defesa do Milan, trocando constantemente de posição. Douglas fazia o papel de Sandro ao baixar pra dar apoio a saída de bola, enquanto o lateral avançava como um ponta no corredor. Outro ponto do jogo ofensivo da Juve é o posicionamento de Cristiano Ronaldo. Escalado como um camisa 9, o CR7 saía da referência pra buscar o jogo. Flutuava por entre as linhas de marcação do Milan, procurando associações com Dybala, Douglas Costa e os 3 meias. 

A ideia era ter maior mobilidade e fluidez no ataque para confundir o bom sistema de marcação dos rossoneros.

O Milan, por outro lado, suportava a pressão. Até que cometeu o pênalti em jogada de bola parada.


A marcação individual na bola parada acaba sendo refém dos desmarques. Especialista nisso, Cristiano consegue se desvencilhar de seu marcador e dominar a cobrança longa de escanteio, enquanto o defensor milanista se confunde quanto a trajetória da bola e acaba tocando a bola com o cotovelo. Após a checagem do VAR, o pênalti foi assinalado.

No entanto, o lance que decide os rumos do jogo ocorre depois de Cristiano desperdiçar a cobrança,a qual foi apenas a sua 2ª cobrança perdida pelo clube italiano.

Veja o vídeo:


Em bola disputada, Rebic acaba acertando Danilo com uma voadora fortíssima, levando o cartão vermelho direto. 

A partir disso, o domínio da Juventus, que já se fazia presente, é amplificado. A velha senhora passa a comandar totalmente as ações da partida.

Com menos 1, o Milan passa a jogar em um 4-4-1. Bonaventura é adiantado, atuando à frente das duas linhas de 4. Observe a imagem abaixo:


Sem Rebic, o jogo da equipe visitante ficou muito prejudicado. O time de Stéfano Pioli se defendeu como pôde, marcando em bloco baixo na maior parte do tempo, compactando bem as suas duas linhas de 4 para impedir a associação dos meias da Juve por dentro com Ronaldo. Em contrapartida, os mandantes tentavam sufocar o adversário na tentativa de abrir o placar. Matuidi e Bentacur jogavam na linha de Dybala e Cristiano, entre as duas linhas de 4 do Milan. A chegada dos meias ao ataque foi a principal arma ofensiva da Juventus no jogo.

Veja o vídeo:


As melhores chances da partida foram protagonizadas pela chegada dos jogadores de trás. Douglas Costa, Dybala e Cristiano Ronaldo atuaram um tanto quanto distante uns dos outros. Apenas o brasileiro foi efetivo em alguma medida. Os outros dois fizeram uma partida paupérrima, apesar do bom volume de finalizações, contudo, levando pouco perigo, uma vez que a maioria se originou de chutes despretensiosos de fora da área.

Mas a Juve fez valer a superioridade numérica, sobretudo no meio de campo.



  • Gráfico de momento de ataque
Volume ofensivo da Juventus (em verde)
Volume ofensivo do Milan (em azul)

Ao todo, foram 26 finalizações dos mandantes na partida, 7 no alvo, contra apenas 6 do Milan, nenhuma no alvo. Mas o massacre em volume de jogo não foi suficiente pra fazer com que a Juve saísse com a vitória, muito por conta do desempenho ruim da trinca de ataque. Como antes mencionado, as melhores chegadas eram com os jogadores vindos de trás. Matuidi, Bentacur e Alex Sandro.

Veja o vídeo:


Por fim, a necessidade do Milan de se fechar com um a menos foi um fator limitante do desenvolvimento do jogo ofensivo da Juventus. Os milanistas se defenderam bem, na medida do possível, conseguiram reduzir o perigo levado a meta de Donnarumma. Porém, os 36 cruzamentos e as míseras duas grandes chances criadas pelo time de Sarri facilitaram o trabalho do sistema defensivo os visitantes. 

É prematuro afirmar que isso irá se repetir, até por conta da falta de ritmo, algo normal na retomada, a tendência é que as equipes evoluam com o decorrer dos jogos, mas a falta de destreza do estrelado setor ofensivo da Juve tem sido recorrente desde o início da temporada. Um problema crônico. Evidenciado tanto no jogo de ida, quanto nesse jogo de volta da semifinal.

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