A estratégia tática montada por Guadiola pra golear o campeão - Análise compacta de Manchester City x Liverpool

Com quatro gols marcados via transições rápidas, City faz o Liverpool de Klopp "provar de seu próprio veneno"

Foto/UOL

Já campeão, o Liverpool foi à Manchester para enfrentar o vice Manchester City em um jogo, como sempre, badalado pelo fato de se tratar do confronto das duas equipes mais poderosas do Reino Unido, e, provavelmente, do mundo, no futebol atual. O City ainda busca alcançar garantir o 2º lugar na competição, além de ganhar ritmo para as decisões da FA Cup e as eliminatórias da UEFA Champions League. Por outro lado, eliminado nessas duas últimas competições, os Reds jogam as últimas rodadas da Premier League pra cumprir tabela e, talvez, buscar o recorde que pertence ao rival. Diante disso, os citizens aproveitaram o marasmo pra emplacar uma goleada acachapante e carimbar a faixa do campeão.


ESCALAÇÕES INICIAIS


ANÁLISE TÁTICA DO JOGO

  • Mudança na formação do City

Já nas escalações iniciais de ambos os times, Guardiola já dava pinta de que haveriam mudanças no seu plano de jogo pro confronto contra o duro adversário de Merseyside. O espanhol mandou seu time a campo no 4-2-3-1, diferente do habitual 4-3-3:


Nessa formação, De Bruyne atua à frente de dupla de volantes composta por Gundogan e Rodri, em uma posição de camisa 10 clássico. Um armador, que apesar de organizar, é mais responsável último passe ou pelo arremate de meia distância. O Belga, assim, poderia ser mais agudo.

Por sua vez, o Liverpool do técnico alemão Jurgen Klopp foi pra partida com a equipe titular, que lhe rendeu a melhor campanha da história da competição até então, no habitual 4-3-3. Não obstante, apresentou suas variações também já conhecidas, sobretudo na postura sem a bola. Observe a imagem a seguir:


Com a proposta de ceder à posse ao City, da mesma forma que ocorreu no embate do 1º turno, o Liverpool  jogou seus primeiros, e melhores, 15 minutos na partida marcando em bloco médio, compactando suas três linhas de marcação e saindo rápido na transição. É claro que o time de Klopp não passou todo esse tempo nessa estratégia, o time também buscou pressionar alto a saída de bola do City nas cobranças de tiro de meta.
Dessa forma, os reds variavam entre as duas linhas de 4, dando amplitude ao sistema de marcação e impedindo o jogo do City pelos lados, e o 4-3-3, apostando na mobilidade de flutuação sem perder compactação.
  • Posicionamento de De Bruyne
Aqui encontra-se o ponto chave da vitória de Pep Guardiola: o posicionamento de Kevin de Bruyne.
Como mencionado anteriormente, o meia belga entrou centralizado no 4-2-3-1 com Foden e Sterling, e o brasileiro Gabriel Jesus no comando do ataque. Nesse contexto, De Bruyne buscava se posicionar nas costas de Fabinho, entre as linhas de marcação do Liverpool, pegando a última linha de frente com três opções de passe de ruptura. Observe a imagem abaixo:


  • Mapa de calor no jogo:

Sempre na busca por esse espaço na zona média ofensiva, o belga pôs a linha de zaga dos reds em dificuldade constantemente com seus passes pra infiltração de Gabriel Jesus. Contudo, o brasileiro foi muito descuidado grande maioria das vezes, ficando em impedimento com frequência.

Ainda assim, seja posicionalmente ou em uma transição rápida, o meia teve facilidade pra trabalhar nas costas dos três meias do time de Jurgen Klopp, construindo alguns dos gols da equipe na goleada. O belga ainda deixou o seu de pênalti.


Não obstante, o quarteto ofensivo da equipe de Manchester trocava bastante de posição, mas mantendo a primazia de procurar explorar o espaço nas de Henderson, Fabinho e Wijnaldum, que sobem bastante pra ajudar a trinca de ataque na pressão em bloco alto. Uma vez desfeita essa marcação, o City possuía campo aberto pra atacar em altíssima velocidade.


Veja a imagem:

               

Na imagem acima, mais um exemplo. Note que, dessa vez, quem busca o espaço é Gabriel Jesus, que sai da referência, enquanto Sterling assume seu posto no ataque da última linha.

  • Três gols em transição veloz
O Manchester City terminou a partida contra o Liverpool com 47% de posse de bola, algo bem incomum para Pep Guardiola e seu jogo de posição. O City não foi superior nesse quesito em nenhum dos tempos (Teve 50% no 1º e 43% no 2º). Mas também saiu com uma vitória expressiva ao aplicar um 4x0 na melhor defesa do campeonato.

Esse dado corrobora pro que foi o jogo. Um duelo de transições rápidas, porém com o City controlando as do Liverpool e potencializando as suas. E assim marcou seus gols.

Veja o vídeo:


Note Kevin De Bruyne aparecendo constantemente na zona média defensiva do Liverpool. Uns metros após o círculo central. 

O 3º gol (O 1º foi de pênalti cobrado pro KDB), no entanto, é um retrato do relaxamento mental do Liverpool na partida em virtude da semana de comemoração do título. Observe o vídeo abaixo:


Em um primeiro momento, a marcação do Liverpool ta bem encaixada. Última linha bem postada, os três meias fechando o espaço à frente e Mané voltando pra ajudar. Entretanto, quando a bola chega ao Foden, Robertson abandona a última linha pra dar um combate afoito e atrasado, o que gera um espaço vital nas suas costas, aproveitado de maneira pro Foden e De Bruyne. Lance de erro grave, e raro, de concentração do lateral escocês.

E pra dar fim à goleada, mais um gol de contra-ataque:


Novamente, jogada de De Bruyne pra assistência do 2º gol de Sterling na partida. Ainda, vale destacar um outro ponto comum dos gols do City: A superioridade ou igualdade numérica. As transições ofensivas do City deixavam os jogadores em frequente superioridade ou igualdade numérica contra a linha de zaga quebrada do Liverpool com os citizens conseguindo sempre levar vantagem com movimentos coordenados de infiltração e ultrapassagem.

Por fim, o Liverpool produziu uma grande chance também em transição rápida ainda no ínicio do jogo.

Mas não teve sequência de oportunidades criadas como essa ao longo da partida, sobretudo após o 1º gol marcado pelo Manchester City.

Comentários

  1. Um jogo onde os atletas do Liverpool estavam meio dispersos, mas o city carimbou a faixa com 4 gols e está anotado .

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