A decisão da nova geração do futebol inglês - Análise tática de Arsenal 2 x 1 Chelsea - Final da FA Cup


No duelo da próxima geração do futebol inglês, Arteta derrota Lampard e conquista seu primeiro título fora das quatro linhas



No jogo que fechou a temporada do futebol inglês, Arsenal e Chelsea se enfrentaram no duelo que marcou a primeira tentativa de título para as novas gerações dos dois clubes, dentro e fora de campo. Sob os comandos dos ex-jogadores e novatos técnicos Mikel Arteta e Frank Lampard, Gunners e Blues tiveram oportunidade de confirmar as boas tendências para um futuro próximo.
ESCALAÇÕES INICIAIS


ANÁLISE TÁTICA

  • Estratégias iniciais
As duas equipes iniciaram jogando com quatro jogadores no meio-campo, em formação 3-4-3. Sem a bola, o Arsenal em diversos momentos tentava se defender com a tática 4-2-3-1. Lacazette se adiantava à última linha de marcação na tentativa de armar contra-ataques em velocidades, tendo Aubameyang e Pepé nas duas pontas. A estratégia no 1º tempo era fazer com que o rival sentisse atraída pela bola, com baixa circulação pelo campo.


Enquanto isso, o Chelsea começou a partida com maior intensidade. As jogadas eram construídas rapidamente perto da grande área com toques rápidos e bolas enfiadas entre as linhas do Arsenal até principalmente Mason Mount, que possui boa circulação pela área esperando o passe final, sem muitas surpresas em relação ao que foi demonstrado na temporada. Um futebol com muitos ataques pelo centro e uma defesa não agressiva.
  • Chelsea surpreende Arsenal no início do jogo
Desta forma, saiu rapidamente o gol dos Blues que havia iniciado a partida com maior intensidade. Repare nas linhas frágeis do Arsenal, uma defesa que foi alvo sucessivo de bolas enfiadas pelos jogadores do Chelsea na jogada do primeiro gol. Puliscic teve liberdade para controlar, conduzir a bola e finalizar no rebote. O sistema defensivo adversário havia começado mal a partida.




Uma das diferenças no jogo foi o comportamento do sistema defensivo de ambas equipes. Repare que o Chelsea trabalhou com forte pressão na saída de bola adversária em diversos momentos, adiantando marcadores no campo de ataque.






  • Quando a estratégia se volta contra você
Como foi dito em outras oportunidades, o Arsenal é uma equipe que busca armar contra-ataques através de longos lançamentos, explorando bastante a força que possui pelas pontas. Desta forma, a equipe encontrou a saída para se livrar da pressão defensiva do Chelsea. Na mesma jogada citada acima, a falta de opções de passe do zagueiro Tierney deu origem à um longo cruzamento para achar Aubameyang em velocidade disparando em direção à área, sendo interrompido apenas pelo empurrão de Azpilicueta dentro da área. O próprio Auba cobrou e empatou a partida.




  • Situação invertida: O Arsenal pressiona e domina o Chelsea
Se a primeira metade do 1º tempo foi controlado pelo Chelsea, a situação foi totalmente invertida na segunda metade. O Arsenal passou a ter domínio da posse, adiantando a primeira linha de marcação (Aubameyang, Lacazette, Pepé), conseguindo incomodar os adversários frequentemente. Então, o jogo passou a ter outro roteiro: com o Arsenal reagindo às ações do rival. A criatividade do Chelsea havia sido bastante anulada, a circulação de seus atacantes estava sem fluidez e as linhas eram facilmente quebradas.


No 2º tempo, a situação acabou não sendo modificada. Quando estava com a posse, o Chelsea não conseguia evoluir depois do meio-campo por causa da pressão exercida pelo Arsenal com a mesma estratégia da primeira etapa, com Lacazette adiantado.

Em diversas oportunidades, os jogadores do Chelsea trocavam para os lados, por falta de espaço. Nos momentos em que não restavam alternativa, as tentativas eram encerradas por passes longos, sem sucesso. Aos 20’ do 2º tempo, a posse de bola da segunda etapa era dominada pelos Blues (74%), mas nenhuma finalização certa havia ocorrido até aquele momento (3 chutes para fora).

  • A finalização fatal de Aubameyang 


O Arsenal, que estava optando pelos contra-ataques no 2º tempo, conseguiu fechar a decisão em sua primeira finalização certa do período, aos 25 minutos. Pelo lado direito, Bellerin pegou a bola e arrancou para o ataque. Ao trombar com seu marcador, a bola sobrou para Pepé. Lacazette poderia receber no meio de dois marcadores, mas. Aubameyang estava mais uma vez com total liberdade pelo lado esquerdo da área. O atacante recebeu a bola e aproveitou a oportunidade, dominando e finalizando com categoria contra o zagueiro Zouma.




  • Situação irreversível
A situação ficou totalmente dramática para o Chelsea com expulsão de Mateo Kovačić com 30’ do 2º tempo. Esta situação forçou Frank Lampard mexer bastante na equipe com três substituições de uma vez com alteração tática: A partir das entradas de Abraham, Hudson-Odoi e Barkley, a equipe passou a atuar na formação 4-2-3.


O grande problema era justamente o vazio que ficou no meio-campo entre Barkley e Jorginho, fazendo com que a equipe não conseguisse ameaçar perigosamente o gol de Martínez. Desta forma, o Arsenal se consagrou campeão da Copa da Inglaterra e manteve sua sequência de 26 anos consecutivos com classificações para competições europeias. A decisão também consagrou Mikel Arteta com seu primeiro título como técnico, e um futuro extremamente promissor pela frente.


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