Bayern é hexa em dia de recital de Thiago Alcântara - Análise de PSG x Bayern: Final da UCL 2019/20

 Sob o comando do meia espanhol, a forte coletividade do Bayern bate o Paris Saint-Germain dos apagados Neymar e Mbappé

Fontes: Esportes R7

Após sete anos de espera, o Bayern de Munique voltou ao topo da Europa ao conquistar o sexto título da UEFA Champions League de sua história. A final contra o PSG marcou um duelo inédito na decisão, uma vez que a equipe francesa chegara à finalíssima pela primeira vez. Sem perder desde o dia 07 de Dezembro de 2019, o time de Hansi Flick dominou todas as competições que disputou, conquistando a tríplice coroa. É apenas a 2ª vez que o clube consegue este feito. Apesar da decisão ter sido bastante equilibrada, o Bayern mostrou ao mundo uma superioridade técnica, física, tática e mental, na qual nem o estrelado plantel de Thomas Tuchel foi capaz de subjugar.

ESCALAÇÕES INICIAIS




ANÁLISE TÁTICA

  • Flick aposta em Coman
Diferentemente de Tuchel, que pôs a campo o mesmo PSG que derrotou o Leipzig na semifinal, Hansi Flick mudou uma de suas peças para a decisão. Dentro de um jogo composto por 22 jogadores, parece improvável que apenas uma peça mudada no tabuleiro possa fazer tanta diferença. Mas, no futebol, faz. E é nisso que ele se destaca.

O sistema foi o mesmo.


O habitual 4-2-3-1 com Coman, a novidade, pelo lado esquerdo da linha de três. A intenção de Flick era dar mais fôlego e velocidade pelas pontas, algo que Perisic não tem tanto quanto o jovem jogador francês. Além disso, Coman criaria uma superioridade numérica pelo corredor com Alphonso Davies, explorando a falta de recomposição de Di Maria e Mbappé por ali.

Veremos mais à frente como a mudança fez diferença.

  • Neymar e Mbappé fazem partida ruim e desperdiçam chances para o PSG
Novamente, o técnico alemão Thomas Tuchel apostou em Neymar centralizado para gerar superioridade e desequilibrar pelo meio, mas também pelos lados. E, também, na velocidade de Kylian Mbappé nas costas de Kimmich pelo lado esquerdo de ataque. Contudo, diferente do Leipzig, o Bayern não deu liberdade para que o PSG pudesse sair jogando. Na semifinal, a equipe de Paris só era pressionada em bloco médio, possuindo certa liberdade para fazer a bola chegar em Neymar entre as linhas. Contra o Bayern, não houve sequer uma gota dessa liberdade.

Observe a imagem a seguir:


Como é de praxe, o Bayern pressionou seu adversário em bloco alto durante grande parte do jogo, dificultando bastante a saída de bola do PSG. Dessa forma, a pressão encaixada dos bávaros tirava as opções de passe lateral e no meio campo. Marquinhos e Paredes foram sempre bem marcados por Thiago e Goretzka, enquanto Müller e Lewandowski eram incansáveis na pressão aos zagueiros e ao goleiro Keylor Navas.

Não obstante, a bola longa nas costas da linha alta do Bayern teve pouquíssimo impacto, por conta do ótimo posicionamento de Kimmich, Boateng, Alaba e Davies, esse último avançando um pouco menos que o normal para justamente não ceder muito espaço. Nesse sentido, o PSG criou suas melhores chances através de roubadas de bola no meio e no ataque, onde eles puderam pegar o sistema defensivo dos bávaros desarrumado. Mas Neymar e Mbappé estavam longe de seus melhores dias...


Essa foi uma das poucas vezes que Mbappé conseguiu espaço nas costas de Kimmich. Com a linha quebrada, Neymar teve facilidade para romper a linha e receber a bola do francês em profundidade, mas parou na muralha Manuel Neuer.

Um ponto de destaque nesse vídeo: Veja como, no início do lance, Thiago tem liberdade para construir na base. Isso foi fundamental para o resultado.

Por conseguinte, a outra grande chance criada pelo PSG na final se originou após mais uma bola recuperada, dessa vez após um perde e pressiona bem executado em bloco alto.

Veja o vídeo:


Neymar e Mbappé protagonizaram suas piores atuações na Uefa Champions League justamente na grande final. Ambos vinham de grandes exibições desde a fase de grupos, mas, contra o Bayern, erraram em uma quantidade incomum para jogadores tão talentosos, o que pode ser explicado, também, pela excelente estratégia do Bayern. Como dito anteriormente, o time de Dieter Flick não só procurou tirar a profundidade do PSG, mas principalmente, buscou evitar que a bola chegasse aos craques brasileiro e francês através da pressão na saída de bola da equipe de Thomas Tuchel.

  • Falta de combatividade dos atacantes propicia o Recital de Thiago
Como introduzido no lance que resulta na finalização de Neymar, o PSG deu liberdade demais para Thiago no meio de campo. Este é o elemento principal para o resultado da partida.

Variando do 4-4-2 para o 4-3-3 na fase defensiva, o time de Tuchel contou com pouca participação do trio Neymar, Mbappé e Di Maria na marcação, sobretudo no que se refere a recomposição. Geralmente, eles só atacavam os jogadores do Bayern para pressionar em bloco alto, mas, quando o Bayern conseguia romper a 1ª linha de pressão, possuía superioridade e espaço para progredir sem ser suficientemente incomodado pela trinca de frente da equipe francesa.

Observe o vídeo a seguir:


No vídeo acima, o PSG pressiona a saída de bola do Bayern com Neymar colado em Thiago, mas o brasileiro o larga para dobrar a marcação em Davies, deixando Thiago livre. Vale destacar o domínio orientado espetacular do Thiago. Logo, o Bayern progride e a recomposição defensiva dos parisienses é feita com somente sete jogadores. Di Maria e Mbappé só aparecem na imagem quando a jogada já terminou. Neymar, então, nem aparece. Essa falta de pegada da linha de frente deixou o sistema defensivo do time deficitário e em constante inferioridade.

Em bloco médio, o mesmo ocorre:


Novamente, Neymar pressiona os zagueiros, mas no momento em que a bola chega aos pés de Goretzka, o brasileiro para e não continua a pressão. Com isso, o alemão tem liberdade dentro do bloco de marcação para enxergar Davies no corredor e sair da pressão. Coman aparece por dentro para atrair a marcação e abrir esse espaço para o lateral canadense.

Portanto, é nesse contexto que o gol decisivo nasce:


Neymar, de novo, não aborda Thiago, que ganha segundos preciosos e acha um passe primoroso para Kimmich, desfazendo duas linhas de marcação do PSG. Essa foi a tônica do jogo. Thiago comandando a saída de bola, a construção, a transição da defesa para o ataque dos bávaros com liberdade e absoluta qualidade. Foi o melhor jogador da final e o fator decisivo para a vitória do clube alemão.

Não só com bola, mas sem ela também.


Subestimado quanto ao potencial na marcação, Thiago colecionou três desarmes, duas interceptações e 6 de 10 duelos durante o jogo. É um meio campista completo. Aborda, rouba, faz a leitura para interceptar passes, clareia o jogo, facilita a progressão entrelinhas e alivia muito as pressões. Acelera e desacelera nos momentos corretos, dá dinâmica e qualifica demais o jogo do Bayern, cujo bom trabalho com a posse é imprescindível. Diante disso, o meia espanhol aproveitou a zona de paz que o PSG lhe dava para comandar o meio de campo.

Em todos os lances de destaque do Bayern, há a marca de Thiago.


E, por fim, no fim do jogo, o PSG pôs Choupo Mouting, Verrati e Draxler, mas o time francês continuou com dificuldades para chegar com perigo ao gol de Manuel Neuer. Ao contrário do PSG, o Bayern contou com uma contribuição bem maior de seus jogadores de frente. Thomas Müller e Lewandowski pressionavam o portador da bola incansavelmente, enquanto Coman e Gnabry voltavam para compor a linha de 3 no 4-2-3-1 e a linha de 4 no 4-4-2 que o Bayern montava sem bola.

Para ter uma noção, a dupla Lewandowski e Müller somou 4 desarmes, ao passo que Neymar e Mbappé somaram apenas 1. Nas interceptações, a dupla bávara vence por 2 a 0.

Esse foi o grande diferencial. O Bayern é um time propriamente coletivo em todas as fases do jogo, ao passo que o PSG carece desse trabalho sem bola, de recomposição e intensidade na pressão ao portador da bola. Contra um time tão bom, essa diferença foi suficiente para decidir quem seria o melhor time da Europa.


Nessa Champions atípica, vence um time único. O 1º da história a ser campeão da maior competição de clubes do mundo com 100% de aproveitamento.

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