Grenal tático consagra Everton em sua despedida - Grêmio 2 x 0 Internacional - Campeonato Gaúcho


Em Grenal mais tático do ano, Renato Gaúcho supera Coudet novamente e leva Grêmio à mais uma decisão do Campeonato Gaúcho.

Depois de três confrontos, Grêmio e Internacional estavam mais uma vez frente a frente no início da atual temporada. Desta vez, o jogo valia a taça do 2º turno do Estadual, credenciando ao vencedor o direito de enfrentar o Caxias na final do torneio. Era mais uma oportunidade para o Internacional tentar voltar a vencer seu maior rival, enquanto o Grêmio tinha chance de fortalecer mais sua atual superioridade na rivalidade gaúcha.
ESCALAÇÕES INICIAIS



ANÁLISE TÁTICA

  • Estratégias iniciais
Tanto Grêmio quanto Internacional entraram em campo dispostos à tentar sair em vantagem rapidamente. As duas equipes deixaram espaços nas primeiras investidas ofensivas e criaram diversas oportunidades nos primeiros minutos, com bastante velocidade e marcações adiantadas. O time que conseguisse propor primeiro seu estilo de jogo conseguiria controlar as ações do 1º tempo.

Cabe ressaltar aqui um fato que vale para toda a primeira etapa da partida: Jean Pyerre e Maicon foram os principais responsáveis para articular jogadas do Grêmio.

  • Inter ao ataque


A equipe que conseguiu impor seu estilo de jogo foi o Internacional. Sem a bola, a marcação era adiantada e individual, com formação tática sendo adaptada para o 4-2-3-1. Guerrero sempre era o último homem, posicionado à frente de Edenílson e Thiago Galhardo pronto para receber o passe decisivo perto do gol.

Em geral, o Inter conseguiu construir boas jogadas nas pontas, principalmente pelo lado direito. Na primeira finalização perigosa da equipe (que sucedeu outras boas finalizações em sequência), Rodinei conseguiu escapar da marcação do Everton e bateu com pé esquerdo, com espaço.

Na jogada seguinte, foi a vez de Thiago Galhardo encontrar Marcos Guilherme em considerável liberdade para finalizar, também chutando com perigo e finalizando bem na meta do goleiro Grohe.




Por fim, repare nesta jogada. Boschilia arrancou desde o campo de defesa em contra-ataque e acabou finalizando com certa distância, de fora da área. O chute acabou sendo desperdiçado, mas repare no espaço livre que Moisés tinha pela ponta esquerda, preparado para encerrar a jogada com tranquilidade, mostrando que o Grêmio não conseguía acompanhar as saídas em velocidade de seu adversário.


Esta sequência positiva do Inter aconteceu principalmente por causa das saídas dos zagueiros para o ataque em velocidade. Victor Cuesta e Bruno Fuchs se posicionavam à frente do meio-campo, enquanto os laterais realizavam a função de pontas pelos lados em algumas jogadas, com Moisés pela esquerda e Rodinei pela direita.

  • Reação gremista ainda no 1º tempo
Depois do equilíbrio nos primeiros 20 minutos e de controlar o volume de jogo por dez minutos, o Grêmio acabou reagindo fortemente e controlou o restante do 1º tempo, devido à mudança de sua postura em campo. A equipe de Renato Gaúcho optou pelo retorno da marcação adiantada, com formação tática 4-3-1-2 sem a bola, tendo Jean Pyerre e Diego Souza na última linha.

Na primeira chance de perigo do Grêmio aos 28' do 1º tempo pudemos ter ideia da chave gremista para pressionar seu adversário, através da projeção dos voltantes, marcação adiantada e armações de contra-ataque. O Internacional teve que recorrer à ligações diretas nas saídas de jogo, sem objetividade, além de ser frequentemente desarmado quando retomava a posse.

Saída de bola do Internacional pressionada pela dupla gremista




  • Jean Pyerre e Everton: Dois nomes para serem guardados
Um dos destaques do 1º tempo foi Jean Pyerre, com muita movimentação pelos lados nas ações ofensivas, além de dificuldade o posicionamento da defesa adversária. Os volantes Maicon e Matheuzinho conseguiam se livrar da marcação, tornando o Grêmio superior no meio-campo.

A partida havia começado com ambas equipes buscando intensidade e marcação alta, o que rendeu erros de passes e espaços livres para contra-ataques, fazendo com que ambos optassem por saídas em ligações direta. Porém, o Inter já encontrava dois problemas que seriam persistentes durante o restante da partida: além dos volantes gremistas com muito espaço para movimentação, Galhardo e Guerrero foram totalmente anulados por Geromel e Kannemann, respectivamente.



Além disso, cabe destacar positivamente a atuação de Everton em sua melhor atuação desde o retorno do futebol brasileiro, sendo responsável por três das oito finalizações do Grêmio no 1º tempo, criou a jogada do primeiro gol e deu assistência para o segundo.


  • Inter sofre gol no jogo aéreo, de novo
O jogo voltou do intervalo com o mesmo roteiro, e desta forma, o Grêmio conseguiu abrir o placar logo no início da segunda etapa. Everton infernizou seus marcadores pela esquerda e conseguiu mais uma boa jogada. Desta vez, cruzou para Diego Souza dentro da área no outro lado, subindo mais que Moisés, escorando para Maicon completar com liberdade para o gol vazio e abrir o placar.

Repare que Victor Cuesta deveria estar marcando o jogador gremista responsável pelo gol, mas o jogador acaba recebendo a escorada de Diego Souza nas costas da marcação.



Com o placar aberto, Renato Gaúcho passou a adotar uma estratégia mais reativa, apostando na velocidade de Everton para arrancar contra-ataques. Porém, apesar de dominar a posse em boa parte do 2º tempo buscando o empate, o Inter trocava passes sem velocidade, bolas enfiadas e cruzamentos, não conseguindo quebrar as linhas de marcação gremistas que não passavam mais do meio-campo.

  • Tentativa frustrada de reação: Grêmio controla jogo sem a bola
Como se a situação não estivesse suficientemente ruim, Coudet teve que fazer uma alteração forçada com a saída de Edenílson por lesão e a entrada de William Potker. Inicialmente, a formação havia sido adaptada para o 4-3-3, com Guerrero, Potker e Galhardo no ataque. Entretanto, a configuração tática anterior voltou a ser utilizada, com Potker atrás de Guerrero e Galhardo.

Foram apenas duas jogadas de grande perigo a favor do Inter durante o 2º tempo. A primeira foi aos 9', com o choque de Geromel e Kannemann causando uma instabilidade no sistema defensivo adversário. Boschilla cruzou para Guerrero em velocidade na esquerda e o peruano achou Galhardo livre de marcação dentro da área para empatar a partida. A intenção foi boa, a jogada foi a correta, mas o cruzamento saiu forte demais e a chance foi desperdiçada.



Na segunda oportunidade, aos 25', uma desatenção generalizada gremista permitiu bastante movimentação para Fuchs construir a jogada encontrando Guerrero na entrada da área. A bola foi ajeitada para Patrick, abrindo para Moisés, cruzando para Galhardo desviar de cabeça. Esta foi a segunda e última chance desperdiçada.





  • Inter erra novamente no jogo aéreo e Grêmio aproveita oportunidade
O jogo aéreo certamente é um problema para a equipe de Coudet, no ataque e principalmente na defesa. Contabilizando apenas a atual temporada, 7 dos 10 gols sofridos pelo Inter foram em jogadas aéreas adversárias. Desta forma, o Grêmio acabou encontrando seu caminho para o gol do título.

Mais uma vez, Everton foi a mente pensante da jogada. O atacante desconstruiu a marcação adversária pela esquerda novamente e fez o cruzamento para a entrada da área. A bola parou em Moisés, que fatalmente errou no corte da jogada, fazendo com que a bola sobrasse para o jovem Isaque girar e acertar de primeira um forte chute e fechar o placar do clássico.



Desta forma, o Grêmio conseguiu sua vaga para a final do Campeonato Gaúcho contra o Caxias-RS. O meio-campo passou a marcar quando a equipe teve que ser reativa e aproveitou as chances que foram oferecidas pelo adversário, tendo inclusive oportunidades reais de ter ampliado o placar da vitória

O Internacional tentou impor seu jogo na metade inicial do 1º tempo, mas a equipe sentiu e o rendimento caiu consideravelmente. Depois disso, chegou poucas vezes com perigo, encontrou dificuldades para quebrar linhas de marcação e mais uma vez sofreu com jogo aéreo

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