Jogo para ambos repensarem estratégias - Flamengo 1 x 1 Grêmio - 4ª Rodada do Brasileirão 2020

 Empate no Maracanã indica Flamengo sem criatividade e levanta questionamentos sobre a estratégia reativa do Grêmio na atual temporada

Alexandre Vidal / Flamengo


Um dos jogos mais esperados da 4ª rodada do Brasileirão colocou Domenec Torrent contra Renato Gaúcho, o técnico brasileiro mais bem capacitado na atualidade. O esperado duelo no Maracanã despertou expectativas principalmente em relação à possibilidade de notarmos alguma evolução no trabalho do novo técnico na equipe rubro-negra.


ESCALAÇÕES INICIAIS


ANÁLISE TÁTICA

  • Estratégias iniciais
A partida em geral não apresentou diversas variações e manteve praticamente o mesmo roteiro desde o início da partida: Renato Gaúcho deixou a equipe de Domènec Torrent propor o jogo. Na maior parte do 1º tempo, o Grêmio utilizava a formação 4-4-2 na defesa e marcava no campo adversário de forma individual.

Enquanto isso, o Flamengo utilizava a formação 4-2-3-1, com Everton Ribeiro, De Arrascaeta e Bruno Henrique no ataque, tendo Gabriel Barbosa como centroavante. Houve um acúmulo muito grande da equipe rubro-negra da posse de bola, chegando à marca de 75% nos primeiros dez minutos de partida.

  • Flamengo começa melhor, mas tem dificuldade nas finalizações
Mesmo com o domínio da posse, o Flamengo não conseguia ser efetivo nas jogadas de criação. Repare que as primeiras chances criadas aos 11' e aos 13' pela equipe carioca foram a cabeçada de Bruno Henrique após cobrança de escanteio e um lance individual de Éverton Ribeiro, que driblou dois marcadores fazendo infiltração na área batendo por cima do gol.

Ainda assim, o prognóstico do jogo então ficava bem claro: O Flamengo aproveitava os encaixes de marcação individual gremista e tentava jogar com mobilidade. Kannemann estava sendo arrastado por Gabriel Barbosa, abrindo espaços para Everton e Arrascaeta virem de trás e terem chances de marcar. Foi um bom início da equipe carioca, mas faltava acertar o passe final.



O time rubro-negro estava lembrando a estratégia utilizada por Jorge Jesus, com muita troca de posição e liberdade para os quatro jogadores de frente. Porém, o entrosamento não estava sendo o mesmo; faltava a intensidade nas ações, dinâmica nas jogadas, acarretando em dificuldade no acabamento das jogadas.


  • Marcação individual do Grêmio encaixa, e jogo passa a ser controlado

Este foi o problema do Flamengo durante toda a partida. Repare neste lance aos 16' do 1º tempo: Everton Ribeiro achou João Lucas com espaço na direita, mas cruzou forte e Bruno Henrique não conseguiu completar para o gol.



O encaixe gremista acabou dando certo, anulando a criação adversária. O Flamengo não conseguiu mais nenhuma finalização perigosa até o fim do 1º tempo. O Grêmio teve chances com duas faltas perigosas cobradas por Jean Pyerre por um Flamengo mais faltoso que a média, chegando ao ataque com bastante movimentação dos dois lados explorando Alisson e Pepê procurando Diego Souza no centro para finalizar.



  • Sem o Flamengo no ataque, Grêmio abre o placar na inteligência

Faltava o capricho da finalização, mas o time gremista conseguiu achá-lo no final do 1º tempo, quando abriu o placar. Pepê subiu pela esquerda, levou para o meio e abriu a jogada com Alisson na direita, que foi para cima de Filipe Luís na marcação e acionou Pepê livre na grande área para abrir o placar.

No lance do gol, repare alguns erros cometidos pelo Flamengo. Léo Pereira estava marcando um jogador que estava totalmente fora da jogada e Rodrigo Caio não acompanhou a jogada, permitindo Pepê infiltrar na diagonal com liberdade.



A chave para o Grêmio foi a aproximação dos dois pontas. Pepê se deslocou da esquerda para infiltrar-se nas costas da defesa, deixando assim a equipe gremista com mais alternativas na definição além dos cruzamentos buscando Diego Souza.


  • Segundo tempo pouco movimentado

O segundo tempo apresentou novamente uma tendência que Renato Gaúcho tem seguido nos jogos deste ano: um Grêmio totalmente reativo para segurar o resultado após ter marcado o primeiro gol, uma característica diferente dos anos anteriores nos quais a equipe trabalhava para marcar mais gols. Possivelmente, esta mudança tenha ocorrido devido à perda de qualidade técnica da equipe sem os mesmos jogadores das temporadas anteriores.



Tanto que, a equipe gremista ameaçou o Flamengo logo no início da segunda etapa em forte contra-ataque. Na bola longa de Orejuela, Diego Souza venceu a disputa aérea e deixou Pepê com total liberdade na esquerda. Diego Souza recebeu novamente dentro da área com tempo para dominar, mas acabou desperdiçando. A jogada para ter evidenciado uma nova deficiência rubro-negra, a pressão pós-perda sem mais nenhuma efetividade.


  • Grêmio chega perigosamente sem cruzamentos

Com a equipe gremista reativa e o rubro-negro com problemas de criação, resultando em diversas jogadas perdidas, o jogo acabou caindo consideravelmente de qualidade técnica. O Flamengo, que tinha responsabilidade de ter controle do jogo, parecia ter perdido intensidade na criação justamente.

Gabriel até tentou mudar seu posicionamento, posicionando-se abertamente pelo lado direito buscando maior liberdade para receber assistências, mas a jogada sempre acabava antes dele receber este passe.

Inclusive, a criação de jogada mais perigosa do 2º tempo novamente foi gremista, mas apenas na reta final do jogo. O jovem Isaque tabelou, recebeu na esquerda, passou pela marcação composta por Renê e Rodrigo Caio dentro da área, mas bateu fraco e desperdiçou a chance de ampliar a vantagem.



Repare que Pepê novamente estava com espaço dentro da área, nas costas da marcação, podendo receber e acionar um companheiro de primeira. Mas principalmente, havia uma opção de passe no centro da área, com bastante potencial para finalizar com mais espaço.



  • Com espaço para finalizar, Gabigol consegue pênalti e arranca empate
O lance acima mostrou que o Grêmio deveria ser mais fatal quando tem oportunidade de chutar. Em quatro finalizações da segunda etapa, a equipe não conseguiu acertar nenhuma, fazendo com que o 1-0 seja um placar perigoso a partir do momento em que você opta por chamar a equipe adversária com marcação mais recuada dentro do seu campo de defesa.





Desta forma, assumindo riscos, a equipe gremista cometeu um pênalti sem controvérsias: Kannemann abriu o braço interceptando o chute de Gabriel (que recebeu aquele passe na entrada da área). Desta forma, Gabigol voltou a marcar depois de sete jogos e o Flamengo evitou uma derrota que parecia perto de ser concretizada.

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