Palmeiras é campeão em duelo de rivais muito burocráticos - Análise compacta de Palmeiras x Corinthians: Final do Paulista

 Após mais um confronto aquém tecnicamente, o Palmeiras de Luxemburgo bate o Corinthians nas penalidades e é Campeão Paulista pela 23ª vez

Foto: Esporte Interativo

No 2º jogo da final do paulistão, Palmeiras e Corinthians decidiram o título estadual em um jogo um pouco mais emocionante, pelo menos nos minutos finais. No entanto, o nível futebolístico manteve o padrão da primeira partida, apresentando uma melhora tão sutil que poderia passar despercebida. Tanto o time de Vanderlei Luxemburgo, quanto o de Tiago Nunes, estiveram longe do nível ideal de jogo. Inclusive, no que se refere ao volume de jogo e a intensidade. Ao menos, diferentemente do ocorrido no 1º jogo, os times conseguiram criar grandes chances de marcar, as quais algumas resultaram em bola na rede.

ESCALAÇÕES INICIAIS


ANÁLISE TÁTICA

  • Dificuldade em criar e apelo ao jogo direto
Assim como na partida de ida, o Corinthians foi quem dominou a posse e tentou propor o jogo. O Palmeiras, por sua vez, se fechava em uma marcação predominantemente em bloco médio para a saída em velocidade no contra-ataque. 

Com os espaços no meio congestionados pelo bloco de marcação alviverde, o time de Tiago Nunes concentrou jogadas pelas beiradas, sobretudo pelo lado direito com as subidas de Fágner e a velocidade de Ramiro. Veja o vídeo a seguir:


O Corinthians usou bastante os avanços de Fágner pelo corredor interior, atacando os volantes do Palmeiras por dentro, enquanto Ramiro se mantinha bem aberto para dar amplitude ao mesmo tempo em que atacava o espaço deixado nas costas de Viña. O lateral palmeirense costuma apoiar bastante o setor ofensivo, e o Corinthians procurou explorar as brechas deixadas.

Fonte: SofaScore

No 4-2-3-1, o time de Tiago Nunes procurou aproveitar os, não tão comuns, ataques do rival. Logo, foram nessas transições ofensivas mais rápidas que as melhores chances de ambos os times foram criadas. No lado do Timão, Luan conseguiu encontrar espaços para trabalhar nas costas dos meias alviverdes, entre as linhas de marcação, atraindo a atenção dos marcadores e acionando Ramiro, Vital e Jô.


Perceba no vídeo como Luan avança por dentro da zona de guerra do Palmeiras em transição, atrai Viña, que tenta reduzir seu espaço, e abre mais uma vez o corredor para o avanço de Ramiro pelo lado direito.

O Palmeiras, por sua vez, também se utilizou da mesma estratégia. Contudo, Ramires ainda não parece muito adaptado a função de meia "armador" no também 4-2-3-1 de Vanderlei Luxemburgo. E com isso, quem acabou desempenhando bem o papel foi Luiz Adriano, que frequentemente saiu da referência para ocupar o espaço entrelinhas.

Observe a imagem:


O recuo de Luiz Adriano abria espaço para a entrada em velocidade de Zé Rafael e Willian Bigode pelos lados. Essa imagem é justamente da melhor chance do jogo na 1º etapa. 

Veja o vídeo:


Como Luiz Adriano sai para armar a jogada, Willian Bigode é quem agride a área para concluir, e por pouco não marcou. Cássio protagonizou mais uma de suas defesas absolutamente monstruosas. Apesar dessa chance clara, o time da casa produziu pouco. No 1º tempo, foram apenas 4 finalizações (1 no alvo) contra contra 9 do Corinthians (2 no alvo). Esses números ajudam a compreender bastante o que foi o jogo. Mesmo com a posse, o timão teve muita dificuldade de criar, o que também pode ser dito do Palmeiras, sendo este último possuindo menos a bola. A maioria das finalizações foram de meia e longa distância sem direção e precisão.

  • Bola parada é arma anulada pelas equipes
Se tava difícil pelo chão, pelo alto não foi diferente. Nenhum dos 10 escanteios cobrados na partida gerou perigo significativo, algo que também pode ser creditado às boas marcações da defesa na bola parada. Embora executando estratégias diferentes, uma vez que o Corinthians marcava por zona (Figura C) e o Palmeiras individual (Figura P), ambos conseguiram neutralizar as cobranças.

  • Figura P

  • Figura C

  • Palmeiras sai na frente, recua e é castigado
No 2º tempo, o jogo teve uma leve melhora. Mas a velha falta de fluidez no setor de criação seguiu assolando as equipes paulistas. Por conta disso, uma avalanche de cruzamentos. Só na etapa final foram 18, sendo apenas 4 deles certos (22,2%). No entanto, a "estratégia" deu resultado para os dois.

Em primeiro plano, o Palmeiras, enfim, balançou as redes e saiu na frente com Luiz Adriano. Por sinal, vale um adendo, se tem algum grande destaque individual no verdão, esse só pode ser o camisa 9. 

Veja o vídeo:


Um ponto bem positivo da equipe do Luxa foi a agressão à grande área adversária com uma boa quantidade de jogadores. Os três atacantes procuraram sempre marcar presença próximo ao gol para maximizar as chances dos cruzamentos resultarem em um tento. E deu certo.

Veja como eles se posicionam nas costas de seus marcadores. O cruzamento de Viña também é digno de nota, o qual Luiz Adriano não desperdiça. São 8 gols e 1 assistência para o centroavante na atual temporada. Média de, praticamente, 1 tento a cada 2 jogos.

Após o gol, o Palmeiras recuou para segurar o resultado, trazendo o Corinthians para dentro de seu campo. Contudo, o time de Tiago Nunes seguiu inofensivo até os minutos finais. E como dito anteriormente, a avalanche de cruzamentos deu resultado para os dois. Logo, no desespero, o Corinthians foi chegando...


... até a bola encontrar Jô, que a dominou com categoria e sofreu pênalti ao ser derrubado pelo carrinho infantil de Gustavo Gómez.


Pênalti convertido no último lance da partida. 

Por fim, a final pôde proporcionar um pouco de emoção em meio à dois jogos de muita briga, transpiração, mas de pouquíssima criatividade. O Palmeiras venceu nos pênaltis por 4x3 e levou o caneco após 12 anos de seca na competição. Título para dar confiança e tranquilidade ao trabalho de Luxemburgo, mas que não pode servir como exemplo para fortalecer o futebol burocrático que promete reinar mais uma vez no Brasileirão.

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