Aubameyang decisivo no ataque e na defesa - Arsenal 1(5) x (4)1 Liverpool - Supercopa da Inglaterra 2020

  No ataque, na defesa, na finalização e na velocidade: Aubameyang decide novamente a favor do Arsenal e Mikel Arteta derrota Jurgen Klopp na decisão



Menos de um mês após o término da temporada anterior na Inglaterra, começamos a viver a temporada 2020/2021 do futebol inglês, com algumas coincidências: o mesmo mês, adversário e estádio, mas com uma diferença fundamental para o Arsenal que era o nível técnico do adversário. Em um dos maiores desafios desde quando assumiu o clube, Mikel Arteta estava prestes à enfrentar o Liverpool de Jurgen Klopp numa decisão valendo taça.


ESCALAÇÕES INICIAIS



O Arsenal estava com uma quantidade considerável de desfalques: Calum Chambers, Gabriel Martinelli, Mustafi e Pablo Mari estavam inativos. Enquanto isso, Leno e Willian estavam em condições de jogo. No Liverpool, figuras conhecidas da equipe também estavam inativos por lesão: Henderson, Matip, Oxlade-Chamberlain, Shaqiri e Origi. Porém, cabe ressaltar que o trio de ataque estava em plenas condições de partida, deixando o Liverpool com um favoritismo maior para esta decisão.

ANÁLISE TÁTICA

  • Estratégias iniciais
Devido às condições citadas anteriormente, o Arsenal entrou com a formação 3-4-3 para reforçar o setor defensivo sem a bola: uma linha de quatro jogadores formada por Bellerín, Elneny, Xhaka e Matiland-Niles. Na última linha, Tirney e David Luiz trocavam de posições frequentemente, variando entre a lateral esquerda e a posição central ocupada pelo zagueiro.

Enquanto isso, o Liverpool estava com menos desfalques em sua equipe titular, demonstrando maior volume de jogo na reta inicial de partida. O maior perigo estava no trio de ataque que ficou consagrada na equipe de Jurgen Klopp, formado por Salah, Firmino e Mané.


  • Arsenal encontra rapidamente o caminho do gol
Sem a bola, o Liverpool estava adiantando bastante às linhas e marcação, conseguindo ter sucesso em complicar as saídas do Arsenal e tendo uma chance de gol aos 10' com Milner. Sendo assim, o contra-ataque em velocidade com definição rápida deveria ser a saída para os Gunners, que rapidamente conseguiu achar o gol aos 12'.



A marcação dobrou para cima de Saka na direita, mas o atacante conseguiu fazer o lançamento em profundidade para acionar Aubameyang. Robrtson deu espaço espaço para Auba se movimentar e não conseguiu o desarme. Milner tentou desviar o chute com a perna dentro da área, mas não foi suficiente para evitar o gol.


  • Dinamismo do Arsenal
O Liverpool estava com problemas na transição defensiva, demonstrando um ritmo menor do que o habitual no primeiro jogo oficial da temporada, com passes errados acima da média (76% de aproveitamento em 20 minutos).

Sem a bola, o Arsenal trocava posições momentaneamente de posição, dificultando o entendimento do jogo por parte do adversário com Tierney por dentro e Matiland-Niles na direita, variando bastante sua formação tática sem a bola. A dinâmica construída por Arteta estava surpreendendo a equipe de Klopp.

  • A estratégia alternativa do Liverpool: Cruzamentos
Com dificuldades de infiltração, a alternativa do Liverpool no ataque estava consistindo em inversões curtas e diversos cruzamentos, tentando explorar o jogo aéreo. Não eram as condições ideais da equipe de Klopp. Em 30 minutos de jogo, o melhor momento acabou sendo com uma jogada construída com participação de Mané, sobrando para Robertson cruzar rasteiro e esperar que alguém completasse.

Ainda assim, a transição seguia deficitária e o Arsenal seguia tendo bastante espaço para trabalhar jogadas em velocidade quando tomava a bola. A equipe de Klopp era melhor quando o Arsenal estava mais ajustado taticamente e com jogadores em suas posições, explorando principalmente os extremos do campo com Bellerín na esquerda e Maitland-Niles na direita enquanto atacava.


[LANCE 38]

O Liverpool melhorou na reta final do 1º tempo a partir do momento em que os laterais Williams e Robertson estavam mais despregados de suas posições e passaram a subir mais no pelo campo, permitindo maiores oportunidades de passe, criando mais oportunidades.

Se o Arsenal quisesse seguir marcando alto com Niles e Bellerín nas duas pontas, deveria proteger mais sua última linha de marcação formada por Tierney e Holding, que estavam sendo superados principalmente por Robertson na esquerda, que estava encontrando espaços pelo lado esquerdo, enquanto os espaços pelo meio ficaram bem protegidos durante todo o 1º tempo.



  • 2º Tempo marcado por maior volume do Liverpool
Ambas equipes retornaram sem alterações para o 2º tempo, e a primeira finalização de Firmino no jogo aconteceu no início do 2T, mostrando que o Arsenal não deveria seguir atento defensivamente a partida inteira. Neste lance, David Luiz cedeu espaço pelo centro e o atacante brasileiro teve oportunidade e finalizar com perigo.



Na jogada de ataque seguinte, Willaims acertou um lançamento em profundidade para Mnaé que recebeu dentro da área, com chances claras de finalizar. Com marcação alta, mas sem aplicar pressão, o Liverpool encontrava espaços para tentar definir jogadas em outras formas.

Em 15 minutos de segunda etapa, o Arsenal não havia chutado ao gol, enquanto o Liverpool já havia finalizado quatro vezes, mostrando a tendência de todo o 2º tempo. Arteta recuou as linhas de marcação e deixou seu adversário ter mais controle da posse, tentando explorar ainda mais os contra-ataques para ampliar a vantagem de 1 a 0.


  • Muito recuado, Arsenal acaba sofrendo o empate
Mesmo tendo criação em menor intensidade, o Arsenal seguia perigoso por não marcar individualmente, optando pela marcação posicional permitindo maior organização nas saídas em contra-ataque. Quando conseguia tomar a posse, arrancava em velocidade e ainda conseguia surpreender o adversário em alguns momentos, com menor intensidade. 



O Liverpool tinha dificuldade de passar pela segunda linha de marcação, prejudicando a criação de jogadas. Entretanto, o maior problema nesta estratégia adotada para a segunda etapa foi a frequente perda do primeiro passe de modo constante, diminuindo completamente o volume de jogo do Arsenal e oferendo conforto cada vez maior para o Liverpool construir lances de perigo.

Porém, depois de 7 finalizações e 69% de posse na segunda etapa, o Liverpool conseguiu marcar contra o Arsenal, que não havia chutado ao gol em 30 minutos de 2º tempo.





Minamino e Sala dividiram passes dentro da área e criaram uma confusão defensiva no Arsenal. No fim, o Liverpool conseguiu marcar com o japonês. Diante da indecisão, o Liverpool determina o ritmo de jogo, encontrando algum espaço para finalizar. Destaque para a mudança tática que permitiu ao Salah maior infiltração na área, sendo bastante efetivo neste gol.





Ainda dentro do tempo regulamentar, o Liverpool teve chance de virar o jogo. Mané venceu a disputa de bola dentro da área contra cinco marcadores, driblou Tierney e se deslocou pela direita para tentar finalizar contra o goleiro Alisson.

A passividade do Arsenal, provocada pela sensação de estar segurando com muitos jogadores recuados, fez o Liverpool trabalhar mais, gerando espaços e situações que incomodaram a equipe de Arteta que estava cômodo na partida e encontrou dificuldades para reagir.

  • Na reta final, Arsenal ameaça, segura empate e vence título nos pênaltis


O Arsenal ainda conseguiu incomodar novamente na reta final do jogo justamente resolveu adiantar novamente seus jogadores, encontrando espaços longos, construindo jogadas pela esquerda, explorando a velocidade de Aubameyang e Saka para ameaçar o Liverpool. Foram três jogadas bem construías que ocasionaram chances reais de gol na transição defensiva da equipe de Klopp que não conseguia acompanhar o mesmo ritmo.

Desta forma, o jogo acabou empatado no tempo regulamentar e decisão acabou indo para a disputa de pênaltis.




Nos penais, o Arsenal acabou vencendo a disputa contra o Liverpool por 5-4. Aubameyang foi o responsável pelo gol decisivo que fez o jogador levantar duas taças no mesmo estádio e no mesmo mês de agosto, vencendo a Copa e a Supercopa da Inglaterra.

Mesmo que não tenha conseguido manter a estratégia funcionando de forma ideal durante o jogo inteiro, Mikel Arteta obteve sucesso ao conquistar as duas taças, derrotando Frank Lampard e Jurgen Klopp nas decisões. Um recado mais promissor para o torcedor do Arsenal seria impossível.

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