Controle, paciência e administração no domínio rubro-negro - Análise tática de Fluminense 1 x 2 Flamengo - 9ª Rodada do Brasileirão

  Flamengo controla partida, faz jogo consistente e derrota o Fluminense com forte 1º tempo, mas chances desperdiçadas na 2ª etapa chamam atenção


Gazeta


No 6º Fla-Flu da atual temporada, o jogo válido pela 9ª rodada do Brasileirão colocou pela primeira vez o técnico Domenec Torrent no desafio de vencer um clássico local, contra o Fluminense de Odair Hellmann.


ESCALAÇÕES INICIAIS



Nas escalações, Nenê apareceu como titular para prender a bola na frente, no primeiro jogo do Fluminense após saída de Evanílson. Além disso, Digão e Fernando Pacheco surgiram como novidades. No Flamengo, a escalação não apresentou surpresas desta vez.

ANÁLISE TÁTICA

  • Estratégias iniciais
O Flamengo pressionava as saídas adversárias com linhas altas de marcação, neutralizando a criação do Fluminense na parte inicial do jogo. Apesar do Flamengo ter sido escalado no 4-2-3-1, a equipe estava atuando em diversos momentos no 4-3-3 com a bola: Everton Ribeiro, Gabriel e Arrascaeta na mesma linha. Sem a bola, o Flamengo marcava no 4-4-2, com duas linhas de quatro jogadores. Enquanto isso, o Fluminense se posicionou no 4-1-4-1 em alguns momentos da primeira etapa.

  • Pressão inicial do Flamengo rende gol precoce
A pressão do Flamengo rapidamente deu resultado, com gol aos 7 minutos da partida. Isla teve bastante espaço para cruzar na direita. Arrascaeta cabeceou e Filipe Luís aproveitou rebote do goleiro Muriel para abrir o placar. Pacheco não estava atento à continuidade da jogada e permitiu a finalização do lateral rubro-negro. Repare que Éverton Ribeiro entrou na diagonal e deixou o corredor para Isla.


 
O jogo estava no campo defensivo do Fluminense, com muita troca de passe acontecendo nesta região. O tricolor não conseguiu agredir seu adversário nos 10 minutos iniciais e já estava em desvantagem. Jogando sem os pontas, a equipe de Torrent havia criado três jogadas neste mesmo período.


  • Fluminense tenta reagir, mas segue neutralizado
As principais tentativas do Fluminense estavam utilizando a inversão de jogo no campo de ataque. Mesmo que estivesse faltando a criatividade necessária para boas jogadas, a equipe estava conseguindo diminuir a velocidade do jogo, tentando trabalhar melhor a posse.

Entretanto, a compactação do Flamengo estava funcionando muito bem, com a transição defensiva sendo efetiva e os jogadores recompondo rapidamente as linhas, tirando o espaço dos adversários. Destaque para Thiago Maia, que executava bem a função de ficar na cobertura das subidas de Isla.


  • Tricolor na tentativa pela diminuição do ritmo de jogo
Com 25 minutos de jogo foi percebido que o Fluminense cumpriu seu primeiro objetivo de tirar velocidade do jogo, equilibrando a posse e construindo jogadas até a linha de fundo. Aos poucos, os tricolores foram ficando mais à vontade na partida e conseguiram finalizar contra um Flamengo bem paciente para rodar a bola.




Na primeira finalização. Michel Araújo fez o deslocamento para Wellington Silva que conseguiu chutar de primeira na tentativa da conclusão. Repare que Egídio tinha espaço na esquerda e poderia ser acionado para cruzar ou fazer a infiltração na área.

  • Aproximação deixava Flamengo mais perigoso
O Flamengo voltava a ser mais perigoso com a aproximação Neste lance aos 29 minutos, Gerson, Thiago Maia, Diego, Everton Ribeiro trocaram passes e Gabriel recebeu livre na área, falhando no cabeceio.





  • Em novo rebote, Flamengo marca o segundo
Em cobrança de falta, o Flamengo ampliou o placar com mais um rebote do goleiro Muriel, e mais uma falha defensiva grave do Fluminense. Arrascaeta cobrou falta na área e Gabriel aproveitou a sobra para marcar o gol aos 33 minutos.




Repare que Gabriel Barbosa estava sozinho na conclusão da jogada, dentro da área, com total liberdade para dominar e chutar forte para ampliar a vantagem. Digão deveria estar marcando o atacante rubro-negro, mas não estava atento à jogada.

  • Calegari salvou o Fluminense do terceiro gol em roteiro repetido
Aos 39 minutos, o Flamengo teve chances reais de marcar o terceiro gol e praticamente fechar o jogo, com mais uma oportunidade criada através de espaços livres.




Thiago Maia passou para Arrascaeta e acionou Éverton Ribeiro com muito espaço de frente para o gol. Na batida, Muriel deu mais um rebote que desta vez não rendeu em gol porque o lateral Calegari conseguiu chegar antes de Diego Ribas. Muita liberdade foi encontrada pelo Flamengo para trabalhar a bola pelos lados durante o 1º tempo.

  • Fluminense entra com Fred para tentar melhorar presença de área, mas resultado acaba sendo nulo
Para o segundo tempo, o principal ajuste que Odair deveria fazer era acionar Marcos Paulo no lugar de Wellington Silva, que falhou em dar velocidade na construção das jogadas do 2º tempo e ter velocidade pelos lados. Fred entrou no lugar de Pacheco para aumentar presença de área do tricolor.

O Fluminense tentou a marcar saídas de jogo do Flamengo, dobrando em diversas oportunidades a marcação contra os jogadores rubro-negros para não permitir as jogadas de velocidade. Entretanto, no início do 2º tempo em mais uma chance criada pelo Flamengo, rapidamente foi percebido que o jogo teria o mesmo roteiro da primeira etapa.



Repare que quando há aproximação, sempre tem um jogador do Flamengo sobrando em condições de finalizar. A marcação do Fluminense ainda não estava encaixando em relação à esta movimentação.

Com o andamento da segunda etapa foi perceptível que a equipe rubro-negra diminuiu o ritmo para a 2ª etapa, deixando assim o Fluminense com mais chances para criar. Havia bastante espaço para contra-ataques, os quais não estavam sendo aproveitados.

  • Panorama do 2º tempo: Jogo menos intenso e Fluminense muito abaixo
Apesar de maior posse, este definitivamente foi um jogo abaixo do potencial para a equipe de Odair Hellmann. As entradas de Fred, Marcos Paulo, Yago Felipe e Luiz Henrique não foram suficientes e o Fluminense não conseguia infiltrar na área adversária, arriscando chutes de média distância, sem chance real de gol. O time era lento, não conseguia impor velocidade e encontrava problema na recomposição.

Enquanto isso, o Flamengo seguiu aproveitando oportunidades para ameaçar o tricolor e estava mais perto de decidir a partida. Wiliam Arão e Vitinho entraram em campo e renovaram os contra-ataques com mais velocidade.

Torrent inclusive atrasou a marcação em diversos momentos da segunda etapa, diante de um Fluminense que rodava a bola sem levar perigo com uma bola chutada ao gol em mais de 80 minutos jogados de futebol. Mesmo com alguns passes errados notáveis na reta final do 2º tempo, o esforço do Fluminense não se transformava em chances reais de gol.

  • Na bola parada, Fluminense desconta e alerta Flamengo para os próximos jogos
Os jovens que entraram para dar maior suporte ao veterano Fred foram os que conseguiram construir jogadas de perigo na reta final do jogo, depois dos 40 minutos do segundo tempo: Primeiro, Luiz Henrique recebeu pela direita e arriscou. Depois, foi a vez de Yago Felipe chutar de longa distância e exigir a melhor defesa do goleiro Gabriel Batista no jogo inteiro, aos 46'.



Já dentro dos acréscimos, na cobrança de escanteio após o chute de Yago Felipe, o Fluminense conseguiu marcar o gol em jogada de bola parada. Digão ganhou a disputa aérea na cobrança de escanteio e diminuiu a desvantagem no placar.



Mesmo sem nenhuma criação, ainda restaram dois minutos para o tricolor acreditar no empate. Entretanto, nenhum lance de ataque foi construído e a vitória do Flamengo acabou sendo confirmada. Para os rubro-negros, fica o sinal de alerta para avaliar a queda considerável de desempenho no segundo tempo, sobretudo nos passes errados e chances desperdiçadas, que poderiam ter complicado um jogo totalmente controlado.

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