Brilho de Ibra e estratégia de Pioli decidem o clássico - Análise tática de Internazionale 1 x 2 Milan

Milan se aproveita das transições para bater a Inter no derby e seguir 100% na Série A italiana

Fonte: 90min

Pela 4ª rodada da Série A, o Campeonato Italiano, na temporada 2020/2021, o Milan venceu a Inter de Milão de Antônio Conte no San Siro em mais um disputado Derby della madonina. Com a vitória, os rossoneri chegaram ao 4º triunfo consecutivo nesse começo de campeonato, emplacando o melhor início na competição em 25 anos. Mesmo após a chegada de bons reforços à Inter, como Hakimi e Perisic, a Internazionale viu seu jogo ser neutralizado pelos comandados de Stéfano Pioli, que ainda contaram com grande noite de um tal sueco de 39 anos.

ESCALAÇÕES INICIAIS




ANÁLISE TÁTICA

  • Pioli põe Milan armado para conter profundidade
A Inter de Milão de Conte foi à campo com seu sistema de jogo habitual: 3-5-2. Com Hakimi e Perisic como alas com muita liberdade para atacar os corredores laterais. Para contextualizar, basta lembrar que Hakimi fez uma excelente temporada no BVB nessa mesma posição, sendo a principal arma da equipe alemã nas transições rápidas da defesa para o ataque, enquanto Perisic teve boa participação na temporada histórica do Bayern de Munique de Hansi Flick atuando pelas pontas. Logo, Conte pôs ambos abertos para tentar usar de suas velocidades nas jogadas de profundidade, bem como ter amplitude para abrir o campo com bola.

A ideia com ambos era clara. Hakimi e Perisic tinham carta branca para avançar ao máximo, inclusive para agredir a grande área do Milan.



Na jogada acima, a Inter sai em transição rápida com Hakimi, que acelera e encontra Perisic no outro lado em projeção. Perceba como o ala marroquino continua o movimento em direção à grande área do Milan e lá entra para receber um eventual cruzamento do croata. Esse comportamento é importante para colocar a defesa do Milan em situação de igualdade numérica dentro da área e maximizar as chances de finalização.

Diante dessa estratégia. Pioli armou sua equipe em um 4-2-3-1 com o intuito de ter um maior número de linhas e proteger essa profundidade que a Inter viria a explorar.


Com uma equipe bastante móvel, Pioli pôde não só controlar a profundidade, mas também compactar bastante o time em todas as zonas do campo. O Milan gerava superioridade numérica no centro de jogo com muita facilidade, sempre cobrindo a bola, pressionando o portador com agressividade e apertando o campo. Marcando em bloco alto, médio ou baixo o time de Stéfano Pioli mantinha a unidade defensiva com extrema eficiência. Logo, isso prejudicou demais o jogo da Inter, que, salvo raras estocadas, não conseguiu criar grandes chances de perigo em profusão. 

Observe a imagem:


Note como o Milan não só tem superioridade no setor da bola, como também corta todas as opções de passe próximas da Inter. São 7 milanistas quase no último terço do campo ofensivo.


  • Transições resultam nos três gols da partida
Com o trabalho defensivo sendo bastante eficiente, não demorou muito para o Milan se aproveitar dele para criar seus gols. 

A aceleração em transição após roubar a bola foi o grande trunfo da equipe rubro-negra no derby. Como a Inter, geralmente, avançava muito os seus alas, bem como os meias Barella, Vidal e, de vez em quando, Brozovic, o setor defensivo ficava vulnerável à velocidade de Rafael Leão e Saelemaekers. E, nesse contexto, o Milan abre o 2-0:


Bastaram apenas 15 segundos para o Milan sair da zona defensiva e chegar dentro da área da Internazionale. A competência do sistema defensivo aparece novamente na dobra que é feita em Lukaku, gerando a posterior roubada de bola. Depois, a inteligência de Çalhanoglu na ocupação do espaço às costas dos volantes e a enfiada de bola para Ibrahimovic em profundidade, que sofre o pênalti. Transição ofensiva muito veloz e coordenada.

Na cobrança, o sueco ainda conta com a sorte para marcar no rebote após Handanovic defender.



E no 2º gol milanista, a mesma situação.


Dessa vez, 14 segundos 4 trocas de passe entre o início da jogada na zona defensiva e a finalização de Ibrahimovic. Milan usou muito bem as transições em velocidade. Çalhanoglu explorou as costas dos volantes da Inter sem muita dificuldade, sempre acelerando o jogo com poucos toques e abusando da verticalidade. A Inter se viu em uma armadilha na maioria das vezes em que ocupou o campo de ataque na busca pelo gol.

Destaque, ainda, para o domínio orientado espetacular do Saelemaekers.

No entanto, a estratégia inicial de Conte ainda viria resultar em gol. Por mais que, no geral, o Milan tenha contido as subidas de Hakimi e Perisic, este último não desperdiçou a brecha rara que encontrou para fazer a jogada do gol que diminuiu o placar. Em comum com os tentos milanistas, está o fato do gol ter sido originado também através de uma transição ofensiva em velocidade. Veja o vídeo abaixo:


  • Falta de repertório impede Inter de evitar a derrota no Derby
Na etapa final, após diminuir o placar, a Inter aumentou o volume ofensivo em busca de chegar ao empate. Só no 2º tempo, foram 9 finalizações contra 5 do Milan, além dos 57% de posse de bola. 

A equipe de Antônio Conte seguiu apostando nos pivôs de Lukaku e Lautaro, e nas subidas de Hakimi e Perisic. Contudo, como mostrado anteriormente, o Milan não cedeu espaços aos atacantes rivais, geralmente dobrando a marcação quando um deles recebia de costas. Não obstante, os rossoneri continuaram a pressionar seus rivais em bloco alto, os forçando ao erro e retomando a posse através das disputas pela 1ª e 2ª bola. Lukaku teve pouquíssimo impacto nessa aspecto do jogo, muito bem marcado.


Alterando entre o 4-2-3-1 e o 4-1-4-1 em fase defensiva, o Milan não permitia que o seu adversário tivesse superioridade na saída de bola para construir. Por vezes, o time marcava por encaixes em bloco alto para justamente bloquear as linhas de passe.

Algo que, do outro lado, não ocorreu com tanta frequência. A Inter até subia suas linhas para também dificultar o jogo milanista na 1ª fase de construção, porém, diferentemente do seu rival, não conseguiu ser efetiva.


Como o Milan colocava seus dois laterais abertos, mas não tão avançados, e recuava Kessié e Bennacer para sustentar a saída, a Inter tinha problemas para evitar a superioridade. O time de Conte só subia Lukaku e Lautaro na 1ª linha de pressão, com Vidal e Barella encaixados nos volantes do Milan. Dessa forma, quando um dos laterais baixava um pouco mais para dar opção e iniciar a saída com o goleiro, não havia ninguém próximo para pressionar. Note que Perisic aparece bem depois para conter.

Nesse sentido, o jogo milanista fluiu com bem mais facilidade que o da Inter. Das 9 finalizações realizadas pela equipe de Conte na etapa final, apenas uma acertou o alvo. Das 18 em todo o jogo, apenas 6 no gol defendido por Donnarumma. O time não conseguiu achar soluções ofensivas e acabou ficando bastante amarrado.


Mesmo após a entrada de Eriksen, a Inter seguiu restrita demais a circulação de bola por fora do bloco de marcação do Milan. A falta de um jogador que ocupasse esse espaço entrelinhas deixou o time previsível, sobretudo pelo desempenho bem abaixo de Lukaku e Lautaro.


E com a falta de um pouco mais de criatividade e repertório por parte da Inter de Milão, o Milan pôde sustentar o resultado até os minutos finais. Vitória importante para um time sem tanto elenco, mas bastante bem treinado por Pioli.


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