Jogo muito brigado e equilibrado na falta de qualidade - Análise tática de Corinthians 1 x 1 Santos - 14ª Rodada do Brasileirão 2020

 Em jogo emocionante de 17 finalizações marcado por diversos erros táticos de ambas equipes, Corinthians e Santos empatam na Arena


O Corinthians, que entrou em campo sem marcar gols desde o dia 16 de setembro (300 minutos de futebol), precisava da vitória para novamente abafar pressões externas e dar confiança ao trabalho do técnico Coelho. Enquanto isso, o Santos buscava manter a invencibilidade de 10 jogos, mas precisava quebrar a sequência de 4 jogos sem clean sheet.

ESCALAÇÕES INICIAIS



ANÁLISE TÁTICA

  • Estratégias iniciais
Como esperado, a equipe santista começou melhor com duas finalizações em cinco minutos, pressionando as saídas do Corinthians, tendo uma oportunidade clara de abrir o placar justamente na saída adversária. Taticamente, as duas equipes estavam no 4-4-2, com Jean Mota mais adiantado em relação à com Kaio Jorge no Santos e Luan mais adiantado em relação à Jô no Corinthians.


  • Santos pressiona no início e surpreende Corinthians com gol precoce
Os sintomas indicavam que o Santos estava com mais chances de chegar ao gol antes do que o Corinthians, e assim aconteceu aos 10 minutos de partida. Madson recebeu cruzamento e escorou para o gol, como um centroavante.



Jean Mota teve liberdade para fazer o cruzamento, praticamente na linha lateral. Marcação adiantada do Santos fazia Corinthians ter dificuldades de passar na intermediária. Lucas Piton não conseguiu chegar para interceptar o lance.

Enquanto o Santos criava e dominava o jogo com facilidade, o Corinthians deixava espaço para chegadas do adversário ao ataque, tanto pelo meio quanto pelos lados com jogadores de velocidade. Cabe ressaltar que o Timão, nos primeiros 20 minutos, errou 21 passes, média de um passe errado por minuto.

  • Jogo dos vários erros
Mesmo após o primeiro gol, o Santos seguia buscando o segundo gol mas sem muita criatividade. A equipe também estava lidando com muitos passes errados (18 errados em 20min, 77% de aproveitamento) em uma partida tecnicamente marcada por desempenho abaixo da média nos dois times.

Nesta primeira parte do 1º tempo também chamou atenção a quantidade de vezes em que ambas equipes perderam a posse, um equilíbrio de 35-34 posses perdidas com ligeira "vantagem" para o Corinthians. Taticamente, o Timão passou a adiantar sua marcação até a linha de fundo, visto que o Santos passou a esperar uma atitude dos corintianos para buscar espaços.


  • Santos recua e joga sem a bola; Corinthians avança aos poucos
Aos poucos, o Corinthians conseguia achar suas primeiras chances e chegou a construir um lance de perigo aos 27 minutos com boa troca de passes. Mantuan trabalhou bem com movimentação para achar espaços e ameaçar o goleiro santista.

Ainda assim, a equipe santista oferecia poucos espaços na região da grande área evitando assim correr perigos maiores na segunda metade do 1º tempo marcando bem em seu próprio campo e esperando um contra-ataque, jogando sem a bola. Com 30 minutos de partida, a posse de bola indicava 57%-43% a favor do Timão.

Quando a marcação estava muito forte e organizada, restava ao Corinthians duas opções: a bola parada ou o chute de longa distância para tentar surpreender o goleiro, como tentou aqui o zagueiro esquerdo Danilo Avelar, na reta final do 1º tempo.




  • Corinthians permite brechas e se expõe com perigo
A partir do momento em que o Peixe voltou a ter uma oportunidade de finalizar, quase conseguiu o segundo gol. Madson chegou a armar um cruzamento, mas percebeu a liberdade de Kaio Jorge na grande área e acionou o atacante, que teve tempo para girar, ajeitar e bater (por cima).



O Corinthians deu brecha e o Santos chegou com bastante facilidade. O Timão esbarrava na falta de um bom jogo coletivo e individualmente, que também deixava brechas defensivamente de forma constante. Fagner tentou servir com uma opção à mais no ataque ao jogar pelo meio com Léo Natel abrindo pela direita, mas acabou não sendo muito efetivo.

  • Em lance bem trabalhado, Timão enfim encerra sequência negativa
Enfim, no final do 1º tempo, o Corinthians conseguiu construir uma boa jogada pelo lado direito. Luan recebeu a tabela e executou o cruzamento, que foi bloqueado na área com desvio na zaga santista. No cruzamento de escanteio, Gil escorou, Luan Peres errou fatalmente ao subir mal, Danilo Avelar dividiu com o goleiro João Paulo, e a bola entrou no gol.

[LANCE 44]

Sendo assim, o questionamento do início deste artigo foi respondido: o Timão conseguiu desconstruir sua amarga sequência de 335 minutos sem marcar gols, ao mesmo tempo em que o Santos chegou ao seu quinto jogo consecutivo sem clean sheets.

  • 2º tempo: Coelho muda três jogadores, mas não mexe

Para a segunda etapa tivemos diversas mudanças nas escalações visto que o Corinthians trocou três jogadores. Boselli, Gustavo Silva (Mosquito) e Cazares foram acionados no Corinthians nos lugares de Luan, Léo Natel e Jô. No Santos, Tailson entrou no lugar de Jean Mota. Apesar de três alterações, Coelho não mexeu em nenhuma função tática da equipe repondo peças nas mesmas posições e com características semelhantes.

Se tivemos alguma mudança tática foi no Santos. Jean Mota voltava mais para o meio campo (participando do primeiro gol santista estando aberto pela esquerda) enquanto Tailson, que se destaca por ir mais á frente, foi posicionado na ponta esquerda fazendo Kaio Jorge atuar como meia.

  • Timão reage e segundo tempo fica mais aberto
O jogo estava mais aberto no 2º tempo e o Corinthians começou melhor, mas ambos tiveram mais espaço para construir jogadas. No Santos, Pituca arrancava e Madson na direita conseguia achar espaço. Pelo lado do Timão, a equipe encontrava mais espaço no meio-campo, principalmente nesta jogada aos 8 minutos.




Gustavo arrancou de seu campo e enfileirou jogadores do Santos antes de invadir a área percorrendo todo o meio campo com liberdade, parado apenas com falta na entrada da área de Luiz Felipe. Curiosidade: o VAR verificou o lance para ver se marcava pênalti, mas o árbitro anulou a falta, ferindo os protocolos da arbitragem de vídeo. Enquanto isso, em mais uma alteração no Timão, Camacho entrou no lugar de Roni na troca de volantes para oferecer maior possibilidade de envolver o meio campo do Santos.

  • Panorama do jogo na segunda etapa
Algumas falhas técnicas persistiam para ambos os lados, principalmente na marcação e na criação. Mas o aproveitamento de passes melhorou consideravelmente nos primeiros 20 minutos (85%-86% a favor do Santos). Neste período de tempo tivemos apenas uma finalização (a favor do Timão, fora do gol), porém era inegável que os times passaram a agredir mais.


Na segunda metade do 2º tempo, o auxiliar Cuquinha mudou taticamente o Santos na entrada de Marcos Leonardo no lugar de Luiz Felipe para atuar de centroavante, a entrada de um jogador de ataque para ficar perto da área e pressionar mais o Corinthians, fazendo Madson recuar para compor zaga ao lado de Luan Peres.

  • Festival de lances ilustrativos: Falhas de posicionamento e transição, mas jogo extremamente aberto desperta interesse
Repare a seguir nessa sequência de lances quanto espaço era cedido pelos dois times, em uma partida marcada pela pobreza tática. Jogo extremamente aberto com erros de posicionamento e campo completamente livre para os dois times conduzir a bola. Ao menos, vale ressaltar que desta vez as duas equipes demonstraram mais vontade de ganhar do que não perder, algo não tão comum no futebol brasileiro atualmente.

A grande oportunidade do Santos no 2º tempo aconteceu aos 30 minutos. No contra-ataque, Pará apareceu com muita liberdade e Lucas Braga bateu de primeira cruzado para Kaio Jorge tentar empurrar a bola para o gol.




Aos 33 minutos, foi a vez de Matheus Vital receber de Cazares na esquerda e bater cruzado depois de carregar por muito tempo, sem ser incomodado pelos marcadores santistas em mais um lance marcado por falhas defensivas.




Por fim, mais uma chance de perigo para o Santos na primeira chegada de Marcos Leonardo, que encontrou oportunidade de arriscar com distância e conseguir um escanteio depois de uma falha individual no Corinthians.





Aos 38 minutos, mais uma chance perdida para o Corinthians, talvez a maior delas. No cruzamento de Gustavo pelo lado direito, Fagner recebeu com total liberdade dentro da área, mas o lateral não conseguiu chutar no gol.



O Corinthians quase fez gol com Fagner como centroavante. Santos ficou mais atrás nos minutos finais e o Timão passou a ter maior volume de jogo. Para os minutos finais, Wagner Leonardo e Ivonei entraram nos lugares de Felipe Jonatan e Lucas Braga no Santos.
  • Chance e considerações finais
No final do jogo, a chance final foi do Timão no principal lance da partida. Danilo Avelar toca para Fagner no meio campo. O atacante acerta cruzamento para Matheus Vital que dominou na entrada da área e chutou de primeira exigindo uma espetacular defesa do goleiro João Paulo.



A partida terminou empatada com resultado para as duas equipes lamentarem. O Santos seguiu sem vencer clássicos em 2020 (3 derrotas, 3 empates) e o Corinthians seguirá por mais uma rodada próximo da zona de rebaixamento.

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