O ato final de Vanderlei Luxemburgo - Análise tática de Palmeiras 1 x 3 Coritiba - Brasileirão 2020

 Coritiba aproveita falhas diversas na estratégia tática do Palmeiras e afunda o adversário alviverde em um triste choque de realidade


Mais um jogo chave do Campeonato Brasileiro: extremamente pressionado por resultados adversos, Vanderlei Luxemburgo precisava convencer o torcedor e a diretor de que seu trabalho poderia render um bom desempenho, além dos resultados que entregava antes da invencibilidade ser vencida. Do outro lado, o Coritiba necessitava marcar pontos cada vez mais para fugir da zona de rebaixamento.

ESCALAÇÕES INICIAIS


ANÁLISE TÁTICA

  • Estratégias iniciais
A estratégia do Coritiba seria previsível com a utilização da formação 4-4-2 e tática defensiva, marcando na região do meio-campo esperando um erro para sair nos contra-ataques. O Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo, que possui a marca de trabalhar muito a posse de bola até buscar a definição nos talentos individuais e transição rápida, teria que sair mais para o jogo como estava acostumado.

  • No primeiro-contra ataque, o Coritiba aproveita
Logo no primeiro contra-ataque bem executado, o Coritiba achou seu primeiro gol na partida através de Robson, o atacante artilheiro e esperança do torcedor na luta contra o rebaixamento, recebendo o cruzamento de Yan Sasse.






Repare que, enquanto Marcos Rocha corria em direção ao meio-campo, Robson já disparava para chegar sozinho na segunda trave, justamente o atacante que recebeu o passe em condições de concluir. Mas desde o meio-campo, o Coritiba passou pelo primeiro bloqueio com amplo espaço.

Após tomar o primeiro gol, o Palmeiras tentava pressionar na segunda bola, mostrando assim dificuldade para marcar a movimentação do Coritiba desde o início. Quando os palmeirenses exerciam uma pressão com quatro homens, as demais linhas demonstravam muita fragilidade ajudando na armação dos ataques.

  • Robson segue livre e Coritiba novamente aproveita
Melhor na partida e finalizando mais, o Coritiba chegou ao segundo gol na boa troca de passes lado direito, Robson teve espaço para dominar e chutar com bastante força no canto direito para ampliar a vantagem no Allianz Parque.

Os zagueiros estavam mal organizados novamente com liberdade para concluir na entrada da área, com muito espaço. Galdezani faz boa jogada na direita e percebeu a movimentação de Robson, restando apenas acertar o passe para que o artilheiro aproveitasse. 

  • Vanderlei Luxemburgo mexe no 1º tempo mesmo
William e Ramires entraram nos lugares de Lucas Esteves e Zé Rafael. Gabriel Menino ficaria então com maior liberdade atuando atrás de Patrick de Paula. Ramires poderia subir mais no meio-campo  e ajudar na armação (que estava sendo nula) enquanto Gustavo Scarpa estava saindo da armação para atuar na lateral.
  • Palmeiras troca passes e Verón diminui o placar
Se estava difícil no nível tático, a individualidade apareceu e o Palmeiras conseguiu marcar seu primeiro gol aos 38 minutos. A defesa do Coritiba se atrapalhou completamente ao retirar a bola da grande área e acabou afastando mal. Na continuação do lance, Patrick de Paula tocou por elevação e a bola caiu no peito de Gabriel Verón bem posicionado para diminuir o marcador.


Obviamente que o posicionamento errado da defesa do Coritiba contribuiu, mas foi interessante observar um roteiro que era presente em outros jogos do alviverde: o Palmeiras cresce quando tem a bola e troca passes com velocidade porque pois assim abre espaço, encontrando profundidade para finalizar com qualidade.

  • Coritiba neutralizado no final do 1º tempo
Palmeiras parou de permitir as organizações do Coritiba por dentro e por lados depois das mudanças de Luxemburgo onde tivemos uma nova postura da equipe que começou a diminuir mais os espaços, marcando saídas de bola do adversário. Ainda assim, o Coritiba ainda teve chance do terceiro gol antes do intervalo.


A tentativa de Robson que ficou frente a frente com o goleiro. Weverton defendeu e Marcos Rocha desarmou em cima do lance, se recuperando dos lances anteriores.

  • Postura melhor no 2º tempo
Luxemburgo fez mais duas alterações no início do 2º tempo com as saídas de Patrick de Paula e Marcos Rocha com as entradas de Danilo e Rony para dar maior velocidade á equipe.

Sem a presença de Rocha, a lateral direita seria ocupada por Gabriel Menino com o time atuando no 4-2-4: apenas Ramires e Danilo ocupavam o meio-campo e quatro jogadores ocupavam a linha ofensiva: Rony, Luiz Adriano, Willian e Veron. A postura do Palmeiras estava melhor no início do 2º tempo ganhando rebotes e dividas, enquanto o Coritiba poderia pensar em explorar os espaços que seriam deixados pelo adversário que sairia mais para o ataque.

  • Jorginho mexe, Coritiba volta a ter velocidade e confunde o Palmeiras
Na segunda metade do 2º tempo, Jorginho fez mudanças importantes no Coritiba. Com a entrada de Neilton no lugar de Rodrigo Muniz, os contra-ataques seriam em maior velocidade porque o Gabriel estava sendo rápido e nem passador. Em outra alteração, Matheus Bueno entrou no lugar de Galdezani que transitiva bem com a bola, mas diminuiu a intensidade ao sentir lesão.

Logo após as alterações, o Coritiba chegou ao 3-1 com 21 minutos. Robson recebeu com muita liberdade na esquerda com tempo para pensar o cruzamento e acionar Giovanni Augusto no jogo aéreo, marcando o terceiro gol e ampliando a vantagem.


No primeiro ataque após a alteração, um pouco mais de velocidade fez com que o Palmeiras não conseguisse acompanhar o lance. Com três passes, o Coritiba quebrou o bloqueio da primeira linha e foi levando sem grande dificuldade.

  • Palmeiras tenta achar saída na rápida troca de passes
O Palmeiras teve uma boa jogada que terminou em gol anulado por impedimento, mas acabou mostrando novamente que a equipe rendia muito mais com a troca de passes com precisão e em velocidade. Willian e Luiz Adriano tabelaram rolando para Gabriel Menino acionar Veron e completar o lance.



A partida então rendia expectativas nos 15 minutos finais onde provavelmente teríamos mais um gol saindo. O alviverde se lançava totalmente para o ataque, fazendo com que sobrasse espaço para contra-ataques do Coritiba que tinha em campo jogadores preparados para concluírem novamente.

  • Considerações finais
Aos 35 minutos, uma mudança questionável executada pelo técnico Vanderlei Luxemburgo na entrada de Raphael Veiga no lugar de Luzi Adriano: saiu um jogador que poderia dar trabalho para uma defesa improvisada do Coritiba e entrou um jogador que tentará bater de fora da área.

A equipe alviverde não foi efetiva e dificilmente seria através de uma desorganização tática desde o princípio do jogo, principalmente no setor defensivo. Mais uma vez, ficou a sensação de termos assistido a atuação limitada de uma equipe que possui potencial para render com qualidade bem superior à média.

O Palmeiras demitiu o técnico Vanderlei Luxemburgo após este resultado negativo. Agora, devemos ficar atento para a diretoria de um clube que recentemente encontra-se numa permanente turbulência política que sempre interfere no trabalho dentro de campo. A expectativa é para que a atual diretoria consiga trazer um técnico alinhado ao forte potencial de seu atual elenco.

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