O encontro entre o gênio e o louco - Análise tática de Leeds 1 x 1 Manchester City

 Jogo entrega ofensividade e qualidade esperadas de um dos confrontos mais aguardados da Premier League 2020/21

Foto: UOL

Na Inglaterra, Leeds e Manchester City se enfrentaram em partida válida pela 4ª rodada da Premier League. O confronto entre o campeão da 2ª divisão e o vice-campeão da 1ª por si só já seria algo atraente, mas o requinte especial desse embate estava envolto no duelo entre os comandantes na beira do gramado. De um lado, Marcelo "El loco" Bielsa. Do outro, Pep Guardiola. O último é admirador declarado do técnico argentino, inclusive fazendo questão de pontuá-lo como uma de suas maiores referências futebolísticas. O duelo entre o "louco" e o "gênio" do futebol de posse na melhor competição nacional do mundo não poderia oferecer menos do que uma rica e agradável aula de futebol.

ESCALAÇÕES INICIAIS

Fonte: Total Football Analysis

ANÁLISE TÁTICA

  • Estratégia do City enclausura Phillips e amarra saída de bola
O Leeds de Bielsa já deu demonstrações de que daria trabalho aos gigantes do "big six" na Premier League quando enfrentou o Liverpool de Jurgen Klopp. Logo, contra o City não foi diferente. 

O Leeds não abriu mão de seu modo de jogar por conta da superioridade técnica do elenco da equipe de Manchester. A tônica do jogo, sobretudo no 1º tempo, foi a batalha na 1ª fase de construção de ambos os times. Bielsa e Guardiola puseram seus times para pressionar a saída de bola um do outro em busca de dificultar ao máximo as jogadas ofensivas, assim como proporcionar uma situação de roubada de bola em zonas de alto risco para o adversário. Nesse sentido, veremos as estratégias de cada um.

Em primeiro plano, o City, que foi quem conseguiu mais resultado na proposta. Observe o vídeo abaixo:


A saída de bola do Leeds costuma ser feita com os zagueiros abertos e o goleiro na base, os laterais colados na linha lateral e Phillips baixando pra ser esse apoio por dentro. O volante é a peça chave na dinâmica da saída. Com isso, o City atuou no 4-3-3 sem bola, adiantando sua trinca de ataque para impedir da superioridade numérica da linha de 3 do Leeds (2 zagueiros + goleiro) e os meias Foden e De Bruyne para fecharem o meio espaço e pressionarem Phillips na entrada da área. 


Dessa forma, o Leeds teve sua saída de bola muito dificultada por essa pressão alta exercida pelos citizens, tendo que tentar progredir via bolas longas para os laterais abertos ou para os meias na zona média. Contudo, como já deu para perceber no vídeo anterior, o time de Pep Guardiola estava sempre muito atento na pressão aos possíveis receptores de passe, e, com isso, recuperou muitas bolas no campo de defesa do Leeds, levando perigo ao acelerar na transição para aproveitar a última linha do time de Bielsa exposta.

Veja o vídeo:


Com bastante mobilidade, o Manchester City soube exercer pressão com superioridade em quase todas as zonas do campo de defesa do Leeds, onde a equipe tentava acionar Phillips, Roberts e os laterais Dallas e Ayling. Por extensão, a 2ª bola era frequentemente do time de Pep Guardiola.

Logo, foi nesse contexto que os visitantes abriram o placar.


A pressão em bloco alto é eficaz, induz o goleiro à bola longa, a qual é recuperada por Mendy que ataca o espaço acelerando a transição ofensiva do City para pegar o sistema defensivo do Leeds desarrumado. A bola chega em Sterling que faz uma bela jogada e abre o placar. 1x0 dentro da estratégia inteligente de Pep Guardiola.

  • Leeds encontra alternativas para sair da pressão e cresce com Rodrigo
Apesar da certeira estratégia do time de Manchester, a equipe de Bielsa seguiu tentando solucionar os problemas impostos pelo adversário. E aos poucos, foi conseguindo. 

Não obstante, como mencionado no começo deste texto, Pep e Bielsa duelaram na 1ª fase de construção, sendo essa a área decisiva para o sucesso ou fracasso dos dois no jogo. Diante disso, Bielsa também soube criar dificuldades para a saída de bola do Manchester City, criando chances de perigo a partir das induções ao erro. Observe o vídeo abaixo:


A equipe mandante montava alguns encaixes individuais para tirar as opções de passe do City na saída de bola. Ao recuperar a bola, também acelerava na transição. No entanto, vale destacar a forma como o Leeds troca passes e chega ao último terço com muita agressividade. Os comandados de Bielsa costumam triangular com muita facilidade e frequência, usando de muita mobilidade, trocas de posição coberturas ofensivas para construir o maior número de apoios possível ao portador da bola. 

Pois é, novamente o jogo posicional desmitifica a crença de que o mesmo engessa o jogo.

Os problemas na saída de bola foram sendo solucionados dessa mesma forma. Quando teve mobilidade e velocidade nas trocas de passes, o Leeds conseguiu construir jogadas ofensivas desde o goleiro até o último terço.


Impressiona a facilidade que o Leeds tem para trocar passes de primeira, fazer tabelas e trocar de corredor. É um time muito móvel. Mas o fator que desequilibrou o jogo à favor do time de Bielsa na etapa final foi a entrada de Rodrigo Moreno.

À essa altura, o Leeds já demonstrava mais ímpeto que o Manchester City. Os citizens sentiram um pouco a parte física, sobretudo alguns dos jogadores que atuaram no meio de semana, caso de Kevin De Bruyne. Assim, a presença de Rodrigo deu ainda mais gás na construção, bem como agressividade no terço final. O impacto dele na partida foi imediato.

Primeiro, ajudando na progressão:



E depois, na construção e conclusão de jogadas de ataque:



 Para contextualizar com números, Rodrigo finalizou 5 vezes nos 34 minutos de tempo que teve em campo, além de 2 passes decisivos. O volume ofensivo da equipe aumento bastante com ele em campo e o Leeds foi ameaçando cada vez mais o gol do defendido pelo goleiro brasileiro Éderson. A agressividade na área do City era bastante impetuosa.


Na imagem acima, a jogada de finalização de Rodrigo que precede o seu gol, o qual deu o empate ao Leeds. É incomum até para times grandes ver SEIS jogadores chegando na área do adversário para finalizar. Esse era o Leeds contra o poderoso Manchester City. Um time que é absurda e essencialmente ofensivo contra qualquer adversário.

E, por conseguinte, foi recompensado com o gol de empate.


Apesar de todo o volume de oportunidades criadas com bola no chão, foi na bola parada que o time de Bielsa conseguiu seu gol. Ederson, que fazia grande partida até então, falhou feio na cobrança de escanteio e Rodrigo não desperdiçou. 

No total da 2ª etapa, o Leeds teve 52% de posse contra 48% do City e finalizou 5 vezes no alvo contra 0 do City. Das 8 finalizações, 7 foram dentro da área. Números que traduzem o jogo volumoso e consciente do Leeds no setor ofensivo.

Por fim, o City ainda teve a chance de sair com a vitória após mais um dos duelos na 1ª fase de construção, que ocasionou desequilíbrios no sistema defensivo da equipe mandante.


Em suma, o empate foi justo pelo o que ambos apresentaram. O jogo teve uma alternância bem definida entre um período de mais sucesso do City e outro do Leeds dentro de suas estratégias de marcação e construção. E mais uma demonstração de Marcelo Bielsa de que é bem possível fazer um futebol competitivo e vistoso com elenco limitado.

Comentários

  1. O time do Leeds tem uma troca de passes rápidos e jogadores bem preparados fisicamente , principalmente nas laterais . Eles vão no fundo rápidos e recompõe com a mesma rapidez.

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