Eliminação muito além da arbitragem - Análise tática de América-MG 1 x 1 Corinthians - Copa do Brasil 2020

   Muito além de questões extracampo: Corinthians peca na estratégia e acaba sendo eliminado para um América-MG mais organizado


Após ter sido derrotado em Itaquera, o Corinthians precisava reverter o placar adverso de 0-1 no agregado dentro do Estádio Independência contra o América Mineiro. Comandando pelo técnico Lista, a equipe mineira era um adversário perigoso por ser um dos times mais bem organizados da Série B.

ESCALAÇÕES INICIAIS




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ANÁLISE TÁTICA

  • Estratégias iniciais
As duas equipes utilizaram a mesma estratégia no início: atrair a marcação adversária para fazer a bola passar nas costas da última linha antes da conclusão. Apesar de ter a vantagem no placar agregado, o América-MG começou pressionando o Corinthians.

Com o passar do tempo, o Corinthians passou a ficar mais com a bola mais no campo de defesa e o América passou a marcar com linhas mais baixas. Timão deveria ter a bola e criar mais oportunidades contra um time que estava se defendendo do meio-campo para trás, passando a jogar mais pensando no regulamento. As saídas em contra-ataque da equipe mineira eram rápidas. Por isso, a chave do gol era semelhante ao primeiro jogo: o cruzamento.
  • Corinthians: Pouco espaço para atacar
Na metade do 1º tempo, o Corinthians quase tomou gol após desatenção de seu sistema defensivo. Vitão cabeceou errado e Diego Ferreira ficou com a bola perto com totais condições de chutar. Porém, a tomada de decisão foi errada e o jogador tentou cruzar, errando a conclusão do lance.




O Timão encontrava dificuldades na aproximação do último setor do campo e buscava recorrer à bolas longas. Além disso, a quantidade considerável de passes errados (32 em 23 minutos) prejudicava o prosseguimento do ataque.

  • América: Saídas em velocidade e com aproximação nos contra-ataques
Conseguindo sair em velocidade e encontrando espaços na defesa adversária, o América-MG estava desperdiçando chances de abrir o placar por não optar pelos chutes de longa e média distância. 




Quando roubava a bola do Corinthians chegava com muitos jogadores, dando a aproximação necessária para a construção de jogadas. Repare neste frame onde quatro jogadores do América-MG se posicionavam na última linha no meio-campo.



  • Saída forçada de Cazares: Timão com muitos problemas no 1º tempo
Os problemas para o Corinthians ficaram maiores quando Cazares teve que sair devido à uma lesão: Na substituição, Everaldo foi acionado para jogar pela esquerda como ponta com objetivo dar maior velocidade para as saídas do Timão, que estavam sendo insuficientes até aquele momento. Desta forma, Vital passou a atuar mais centralizado. O problema era que o Corinthians não conseguia incomodar um time que marcava bem, pois os jogadores estavam muito espaçados.







No final da primeira etapa, o time corintiano quase foi vazado e Cássio teve que salvar o Timão no chute de Geovane. O meia tinha pouco espaço para concluir, mas arriscou e o América-MG finalizou de média distância e forçou uma boa defesa do goleiro adversário.


Quando precisava construir, o Corinthians encontrava problemas. Assim foi no 1º tempo. Foram algumas tentativas de bola esticada para Everaldo buscando velocidade, mas o Timão pouco chegou na esquerda e não ameaçou na direita. No quarto toque, falhava e encontrava dificuldades muito claras. Do outro lado, o América poderia ter saído em vantagem nas saídas de contra-ataque e aproximação eficiente, mas falhou nas conclusões quando teve oportunidade.
  • As mexidas de Mancini para a segunda etapa
Cantillo e Gabriel foi acionados para o 2º tempo, mas a estrutura foi a mesma, Função de Cantillo foi para dividir armação do meio com Vital e Gabriel entrou para fazer a mesma função de Xavier, substituído por ter cartão amarelo.

  • Pressão corintiana resulta em gol precoce no 2º tempo
Com 10 minutos, o Corinthians foi mais efetivo do que em todo o primeiro tempo com duas conclusões bem executadas, em grandes chances de abrir o placar.

Matheus Vital fez o drible para cima de Messias na esquerda e bateu cruzado, parando em boa defesa do goleiro. Em seguida, foi a vez de Matheus Davó, sumido no primeiro tempo, aparecer na pequena área para cabecear a bola cruzada por Fagner na direita e parou em outra defesa de Matheus Cavichioli.




[LANCE 10 2T]

Em lance analisado pelo VAR, o árbitro marcou pênalti a favor do Timão após concluir que Davó foi derrubado por Anderson Jesus e Fagner abriu o placar em chute com o pé direito. Foi seu segundo gol de pênalti na temporada; o primeiro foi marcado contra o Botafogo no Campeonato Brasileiro.




  • Pressão corintiana resulta em gol precoce no 2º tempo
Corinthians melhorou pela direita com Fagner avançado e Ramiro apoiando, finalmente encontrando o melhor caminho para chegar ao ataque e incomodar o sistema defensivo do América, que passou a pressionar mano-a-mano sempre com pelo menos um marcador em cima do jogador que tinha a bola, apesar de ainda defender com muitos jogadores do meio-campo para trás.



Na metade do segundo tempo, um acidente quase fatal. Fagner salvou o Corinthians após saída errada de jogo na falha de Everaldo. Cássio tentou corrigir o erro e tomou o drible de Ademir.


Ainda assim, o Timão mantinha bom rendimento no 2º tempo com muita colaboração de Cantillo que entrou bem no jogo, fazendo a bola circular mais, invertendo de um lado para o outro e ajudando Everaldo que estava entrando mais nos lançamentos. Para a reta final do jogo, Mancini resolveu mexer novamente e acionou Léo Natel para entrar como centroavante no lugar de Davó.

  • Lucas Piton: O descontrole e a desclassificação
Apesar de ter sofrido 5 finalizações, o Corinthians estava com o jogo sob controle na segunda etapa, até vir o descontrole. A arbitragem considerou pênalti o toque de mão de Lucas Piton dentro da área e Rodolfo aproveitou a oportunidade para empatar o jogo e dar a vaga ao América-MG às quartas de final da Copa do Brasil.






América tem um time organizado com e sem a bola, bem treinado pelo Lisca e por isso o Corinthians acabou pagando pela eliminação. Cazares fez falta, talvez o melhor jogador tecnicamente. Cantillo entrou bem, Fagner passou mais para apoiar e Ramiro na direita. América tinha dificuldade para concluir mas chegava ao gol e teve 19 finalizações. Na reta final, muitas bolas levantadas na área e desorganização tática do Timão não ofereceram perigo para o adversário mineiro.


  • Conclusões finais
O Corinthians de Vagner Mancini até aqui conquistou vitórias com boa marcação na intermediaria defensiva e contra-ataques em velocidade organizado por Cazares, com lançamentos para Mantuan e até no último lance com Everaldo recebendo balão. Mas quando tentava construir, tendo que achando espaços para vencer equipes organizadas (como o caso do América-MG), acabou encontrando problemas. Mesmo que Cantillo tenha entrado bem no 2º tempo, o Timão diminuiu seu ritmo após o gol e viu o América-MG chegar com frequência ao ataque. A eliminação não foi por acaso.

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